Guaraná Marajá

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Nome: Guaraná Marajá

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2L Pet

Fabricante: Amazon Bebidas

Local: Campo Grande/MS

Preço Pago: De cavalo dado não se olha os dentes

Resenha: Quando eu estava em um dilema de ordem ético/moral sobre qual seria o próximo refrigerante agraciado com o contato com as minhas nobres papilas gustativas, recebo uma notícia maravilhosa do colega de trabalho (e discussões futebolísticas) Afonso Vágula: “Meu pai tá vindo do Mato Grosso e tá trazendo um Guaraná Marajá pra você”. Que notícia boa! Não só eu já tinha o próximo objeto de pesquisa, como ele provavelmente deve ser uma bela porcaria.

Vamos a um momento etimológico refrigerando: Marajá é uma palavra que deriva do sânscrito Maharaja, e é usada para representar um tipo de rei, ou governador de uma vasta região na Índia. O que provavelmente passou pela cabeça do pessoal na concepção do produto foi:

“Pô, vamo fazer um nome forte, tchê. Um nome de respeito, um título de nobreza. Guaraná Rei.”
“Puts. Guaraná Rei? Não, tá feio demais isso aí. Que tal Guaraná Presidente?”
“Bah. Presidente é nome de conhaque tchê. Para com isso guri. Guaraná Imperador”?
“Não. O Imperador não joga nada. Que tal Guaraná Sheik?”
“Sheik não, tchê. Esse fulano aí é grosso por demais. Vamo colocar Guaraná Marajá e não se fala mais nisso!”
“Hum. Guaraná Marajá, tá bacana. Mas por que você tá falando com sotaque gaúcho? Cê é do Mato Grosso.”
“Bah. Não é que é?”

Certamente no evento desta conversa, os dois personagens jamais pensaram que seu produto fosse atravessar a fronteira sul da grande região pantaneira e atingir as terras de gente desrespeitosa e pecaminosa. Digo isto porque, ironicamente, no estado de São Paulo (ou pelo menos no interior) “Marajá” é um apelido carinhoso para pessoas de vida boa, que não gostam de trabalhar. O famoso “Vagabundo”. Agora veja você que ironia, um refrigerante que tem um nome que remete a vagabundo neste blog. Quem diria?!

À primeira vista, exceto pelo nome, o tal do Marajá até que impõe uma aura de qualidade. Garrafa bem feita, rótulo bem desenhado e colorido. Tudo dentro dos conformes, até você virar a garrafa e ver a inscrição na lateral do rótulo:

“Prove o sabor de uma vida mais feliz. Descubra que a alegria pode mudar seu jeito de viver.”

Guaraná Marajá

(Caio F.)

O que raios é isso? Quem foi o Augusto Cury de Campo Grande que escreveu isso? Quem foi o Steve Jobs de Cassilândia que achou que era uma boa ideia ter isso no rótulo? Quem foi o Biro-Biro de Aparecida do Taboado que… Bom vocês entenderam.

Filosofias e frases de Caio Fernando de Abreu a parte, ao abrir a garrafa de Marajá e despejar seu conteúdo pantaneiro em um copo, podemos perceber uma consistência, cor e nível de gás dentro dos padrões do CQRRFTW (Centro de Qualidade de Refrigerantes Refrigerando FTW). O elemento marcante desta fórmula concebida nas entranhas da maior planície alagável do mundo é o cheiro de figo que o Guaraná Marajá apresenta ao ser aberto. Sim, tem cheiro de figo. Pode ser que eu esteja inventando um cheiro estranho só para efeitos cômicos? Totalmente plausível. Mas se você está lendo uma resenha de um refrigerante em um site nada confiável na internet e quer verossimilhança no texto, você pode fazer um favor à todos nós e se jogar embaixo de um Mercedes Benz ’68 com três eixos.

Não vou mentir, o Guaraná Marajá não é tão vagabundo quanto o nome sugere. É um refrigerante de gosto razoavelmente agradável e qualidade agradavelmente razoável. A principal ressalva que devo fazer é quanto à acidez. Quando tomamos um refrigerante de limão ou laranja, sempre esperamos uma acidez mais elevada, mas quando tomamos um Guaraná, isto é uma surpresa. O Guaraná Marajá parece que ganhou um ‘twist’ de limão em sua fórmula, o que em alguns momentos durante o consumo pode se tornar um pouco irritante. Mas depois de tomar que uma mais-do-que-agradável ardência na língua aparece e te tira do sério. Além disto, o Guaraná Marajá não é muito doce, mas é extremamente pesado no estômago, sendo dois copos mais do que suficiente para te deixar com cara de marajá cansado.

Marajá PantaMania

/Shuffle mode ON

A cereja em cima do sundae de pantaneirice que é o Guaraná Marajá fica por conta da sua perspicaz tampa: “PantaMania” é a inscrição que consta na tampa. Sério, é como se alguém tivesse apertado o botão Shuffle da linha de produção de rótulos e frases aleatórias começaram a aparecer na garrafa. Claro, é evidente que a empresa tentou ilustrar a identidade local em seu produto. Mas seria muito mais efetivo e mais acurado escrever “Paraguai à 500km“.

ANÁLISE

 Sabor: 5

 Mata a sede: 5

 Popularidade: 4

Embalagem: 6

Preço: ???

Nota geral: 5,5

“Aoooo marajá!”