Frutilla Guaraná

Nome: Frutilla Guaraná

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Frutilla Bebidas

Local: Campo Grande/MS

Preço Pago: R$ 1,80

Em uma reunião de amigos na casa do Beto Siqueira (A.K.A. Rafael Piloni), nosso amigo que emigrou de São Paulo para desbravar o Pantanal Crocodilo Dundee Style. Em um retorno triunfal à Nantes da Alta-Araraquarense, ele veio munido de mais uma peça notável do paladar duvidoso pantaneiro: Frutilla Guaraná. Sempre imaginei se a proximidade da fronteira exerceria algum tipo de influência na região pantaneira, e este refrigerante me respondeu esta pergunta. Enquanto Cariocas e Paulistas gostam de usar palavras americanas para parecerem ‘chiques’, e Gaúchos e Catarinenses acham o máximo ter sobrenome “Ausfonhauster de von Frolinckenströn”, os Sul Mato-Grossenses utilizam-se de seus vizinhos para elevar seu status. Frutilla Guaraná é um ótimo exemplo disto. Para aqueles que não estão familiarizados com a cultura ibero-americana, “Frutilla” quer dizer “Morango”. “Porque o Guaraná tem nome de Morango?”, me perguntei em primeira instância. No alto de meus devaneios de querer encontrar uma ordem neste caos chamado Brasil, acreditei que o Guaraná fosse um produto secundário e que o fabricante devesse ter como produto principal um refrigerante de Morango. Obviamente eu estava errado, a fabricante produz refrigerantes de Cola, Uva, Laranja, Limão e Guaraná, mas não de Morango. The Morango is a Lie.

by Josiel Graffitty

A garrafa simpática da Frutilla, chega a ser bonitinha. É uma garrafa gordinha e mais ‘baixa’ que as demais garrafas de 2L. O Rótulo é razoavelmente bem desenhado, porém o designer do mesmo ficou tão orgulhoso do seu trabalho magistral neste rótulo que deixou sua marca registrada. Provavelmente cortou a própria orelha fora, assim como Van Gogh, após o término de sua obra-prima.

Ao abrir a garrafa, eu e os demais voluntários vítimas presentes todos perceberam a presença galopante do gás na composição do refrigerante. Este gás viria a ser desmascarado, mas não vou meter os pés pelas mãos.

Já estou treinado como o Cão de Pavlov à aguardar o segundo ou terceiro gole antes de esboçar uma reação, mas no primeiro gole (mais uma vez) me pareceu um refrigerante razoavelmente bom. Novamente fui enganado pela Fada-do-Primeiro-Gole. O gosto era bom, doce e guaraná o suficiente para parecer razoável. O ‘fundo’ do gosto é o que desmascarou rapidamente esta farsa. Um gosto característico de Chá Mate impregna o paladar, desmascarando a falácia da boa guaraná.

Final Feliz

Outra falácia desmascarada após algumas bebericadas de Frutilla Guaraná é  o gás abundante. Este refrigerante apresenta um protótipo que pode pavimentar o futuro da gaseificação de bebidas: o Pseudo-Gás. Como funciona isso, Beakman? O pseudo-gás é um componente hi-tech na criação de bebidas. Ele consiste em um gás abundante no momento da abertura do refrigerante, que some mais rápido que P.H  Ganso em dia de clássico. Após aproximadamente 4 goles da bebida, deixa-se de sentir a presença do gás no refrigerante e tudo que se pode sentir é o gosto amarrado e não-muito-agradável do guaraná. Um primor da tecnologia Centro-Oestense.

O primeiro copo de Frutilla Guaraná é uma montanha russa de sensações. O segundo copo unifica todas estas sensações em uma única: enjoo. Altamente enjoativo e ‘empanturrante’, é uma tarefa ingrata sorver um segundo copo de Frutilla. Segundo relatos de presentes no momento do incidente, Frutilla Guaraná apresenta um peculiar cheiro de poeira quando assentado em um copo. Testemunhas oculares e paladares confirmaram a acusação, que será julgada no próximo dia 31 de fevereiro.

O orgulhoso filho de Mato-Grosso do Sul, que carrega estampado em seu rótulo ‘Um produto Sul-Matogrossense’ tem uma outra peculiaridade rotular: o tamanho garrafal das inscrições EMBALAGEM DESCARTÁVEL na lateral do rótulo. É como se o fabricante estivesse insultando a inteligência do consumidor e assumindo que, se não avisado, o consumidor guardaria a embalagem ad-aeternum esperando por um refill divino. Pensando bem, o fabricante insulta a inteligência do consumidor ao realmente acreditar que um produto com esta qualidade vá vender o suficiente pra lhe gerar lucros.

ANÁLISE

Sabor: 2

Mata a Sede: 3

Popularidade: 2

Embalagem: 6

Preço: 7

Nota Geral: 3

“Tem nome de Morango, parece Guaraná, mas é uma droga”

Guaraná Marajá

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Nome: Guaraná Marajá

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2L Pet

Fabricante: Amazon Bebidas

Local: Campo Grande/MS

Preço Pago: De cavalo dado não se olha os dentes

Resenha: Quando eu estava em um dilema de ordem ético/moral sobre qual seria o próximo refrigerante agraciado com o contato com as minhas nobres papilas gustativas, recebo uma notícia maravilhosa do colega de trabalho (e discussões futebolísticas) Afonso Vágula: “Meu pai tá vindo do Mato Grosso e tá trazendo um Guaraná Marajá pra você”. Que notícia boa! Não só eu já tinha o próximo objeto de pesquisa, como ele provavelmente deve ser uma bela porcaria.

Vamos a um momento etimológico refrigerando: Marajá é uma palavra que deriva do sânscrito Maharaja, e é usada para representar um tipo de rei, ou governador de uma vasta região na Índia. O que provavelmente passou pela cabeça do pessoal na concepção do produto foi:

“Pô, vamo fazer um nome forte, tchê. Um nome de respeito, um título de nobreza. Guaraná Rei.”
“Puts. Guaraná Rei? Não, tá feio demais isso aí. Que tal Guaraná Presidente?”
“Bah. Presidente é nome de conhaque tchê. Para com isso guri. Guaraná Imperador”?
“Não. O Imperador não joga nada. Que tal Guaraná Sheik?”
“Sheik não, tchê. Esse fulano aí é grosso por demais. Vamo colocar Guaraná Marajá e não se fala mais nisso!”
“Hum. Guaraná Marajá, tá bacana. Mas por que você tá falando com sotaque gaúcho? Cê é do Mato Grosso.”
“Bah. Não é que é?”

Certamente no evento desta conversa, os dois personagens jamais pensaram que seu produto fosse atravessar a fronteira sul da grande região pantaneira e atingir as terras de gente desrespeitosa e pecaminosa. Digo isto porque, ironicamente, no estado de São Paulo (ou pelo menos no interior) “Marajá” é um apelido carinhoso para pessoas de vida boa, que não gostam de trabalhar. O famoso “Vagabundo”. Agora veja você que ironia, um refrigerante que tem um nome que remete a vagabundo neste blog. Quem diria?!

À primeira vista, exceto pelo nome, o tal do Marajá até que impõe uma aura de qualidade. Garrafa bem feita, rótulo bem desenhado e colorido. Tudo dentro dos conformes, até você virar a garrafa e ver a inscrição na lateral do rótulo:

“Prove o sabor de uma vida mais feliz. Descubra que a alegria pode mudar seu jeito de viver.”

Guaraná Marajá

(Caio F.)

O que raios é isso? Quem foi o Augusto Cury de Campo Grande que escreveu isso? Quem foi o Steve Jobs de Cassilândia que achou que era uma boa ideia ter isso no rótulo? Quem foi o Biro-Biro de Aparecida do Taboado que… Bom vocês entenderam.

Filosofias e frases de Caio Fernando de Abreu a parte, ao abrir a garrafa de Marajá e despejar seu conteúdo pantaneiro em um copo, podemos perceber uma consistência, cor e nível de gás dentro dos padrões do CQRRFTW (Centro de Qualidade de Refrigerantes Refrigerando FTW). O elemento marcante desta fórmula concebida nas entranhas da maior planície alagável do mundo é o cheiro de figo que o Guaraná Marajá apresenta ao ser aberto. Sim, tem cheiro de figo. Pode ser que eu esteja inventando um cheiro estranho só para efeitos cômicos? Totalmente plausível. Mas se você está lendo uma resenha de um refrigerante em um site nada confiável na internet e quer verossimilhança no texto, você pode fazer um favor à todos nós e se jogar embaixo de um Mercedes Benz ’68 com três eixos.

Não vou mentir, o Guaraná Marajá não é tão vagabundo quanto o nome sugere. É um refrigerante de gosto razoavelmente agradável e qualidade agradavelmente razoável. A principal ressalva que devo fazer é quanto à acidez. Quando tomamos um refrigerante de limão ou laranja, sempre esperamos uma acidez mais elevada, mas quando tomamos um Guaraná, isto é uma surpresa. O Guaraná Marajá parece que ganhou um ‘twist’ de limão em sua fórmula, o que em alguns momentos durante o consumo pode se tornar um pouco irritante. Mas depois de tomar que uma mais-do-que-agradável ardência na língua aparece e te tira do sério. Além disto, o Guaraná Marajá não é muito doce, mas é extremamente pesado no estômago, sendo dois copos mais do que suficiente para te deixar com cara de marajá cansado.

Marajá PantaMania

/Shuffle mode ON

A cereja em cima do sundae de pantaneirice que é o Guaraná Marajá fica por conta da sua perspicaz tampa: “PantaMania” é a inscrição que consta na tampa. Sério, é como se alguém tivesse apertado o botão Shuffle da linha de produção de rótulos e frases aleatórias começaram a aparecer na garrafa. Claro, é evidente que a empresa tentou ilustrar a identidade local em seu produto. Mas seria muito mais efetivo e mais acurado escrever “Paraguai à 500km“.

ANÁLISE

 Sabor: 5

 Mata a sede: 5

 Popularidade: 4

Embalagem: 6

Preço: ???

Nota geral: 5,5

“Aoooo marajá!”