The Dream is Over

Pois é, pessoal. Após um hiato considerável, venho lhes dar más (boas, pra alguns) notícias: Acabou.

Devido à falta de tempo, desavenças internas e primariamente à falta de interesse, visitas e comentários pela qual este blog passa, acabei por decidi fechar o boteco. Assim como o Faith no More, paramos no auge, antes da decadência começar. Mentira, a decadência começou desde o primeiro post.

Como não pretendo parar de escrever, e tenho mais um ano de domínio pago ao WordPress, resolvi usar este espaço (que já tem audiência consolidada) pra escrever sobre meu novo hobby: filatelia.

Destilarei meus comentários irônicos e insights retardados sobre um assunto bem mais vasto e interessante que refrigerantes: selos.

Espero que gostem da minha nova empreitada, e que continuem a visitar, mesmo após a morte do Refrigerando. Abraço!

PS: Os posts do Refrigerando serão apagados aos poucos, então aproveitem enquanto podem!

EHBIRNSKPÇOAL

Wewi Guaraná Orgânico

Wewi Guaraná Orgânico

Nome: Wewi

Sabor: Guaraná (orgânico)

Recipiente: 250ml vidro

Fabricante: Natumaker

Local: Sorocaba/SP

Preço Pago: R$ 3,00

Estava eu transitando por um supermercado famoso, que se clama “lugar de gente feliz”  provavelmente, porque tudo lá custa o olho da cara então seus fregueses são ricos. E ricos são felizes, isso é uma verdade universal. Pois bem, estava eu passeando pelos corredores com produtos importados, me sentindo um afegão em Paris, quando meu sentido de aranha apontou para o canto da prateleira dos refrigerantes. Naquele canto superior da prateleira, havia uma série de garrafinhas marrons. Quando me aproximei e li “Wewi Guaraná Orgânico” fui impelido a pegar  a garrafa rapidamente e me dirigir ao caixa, sem olhar para as prateleiras e realizar o quão pobre sou.

Orgânico, bitch!

Orgânico, bitch!

Durante todo o caminho para casa fiquei me indagando “Como é possível um produto industrializado ser ‘Orgânico’?”. Esta indagação ainda permanece na minha mente, mas o fabricante parece particularmente orgulhoso disso, pois a garrafa é pequena mas o que não falta são avisos de “100% natural” e “ORGÂNICO” gritando na sua cara. Pesquisei a “certificação” de orgânico, e realmente procede, embora eu continue sem entender como funciona esse negócio de “produto orgânico”. Isso virou moda. Agora tem de tudo orgânico. As madames pagam 3x mais no produto porque tem escrito orgânico no rótulo, mas quando aparece um louco falando que bebe urina, ela torce o nariz com nojinho. Ué, urina não é orgânico também? Bosta é orgânico, e não vejo ninguém falando que faz bem comer um tolete recém plantado no vaso. Enfim…

A primeira coisa: Como se pronuncia o nome? UêUí? Veví? Wall-E? Não sei. Mas a garrafinha de Wewi é bonitinha. Bem desenhada, perto das garrafas tradicionais ela realmente passa uma imagem de ser mais “magra” , mais saudável. Interessante.

Tive várias expectativas antes de experimentar este produto. Esperei um guaraná normal. Esperei um guaraná com pedaços de grama. Esperei uma mistura de guaraná e trigo. Sabia que não seria nada disso, mas a palavra “orgânico” realmente mexeu com minha criatividade infantil. Ao abrir a garrafa, surgiu o curioso cheiro do refrigerante que é uma mistura de Guaraná Antarctica com cerveja. Notei também a pouca quantidade de gás presente no refrigerante.

Tá. É orgânico. Já entendi...

Tá. É orgânico. Já entendi…

O tal do Wewi tem um gosto leve de guaraná, mas o que se destaca no paladar é o gosto de açúcar mascavo. Tem muito gosto de açúcar mascavo. Muito mais do que qualquer outra nota de sabor. Ele começa bem doce no paladar, mas vai aos poucos criando um fundo amargo. Não chega a amargar, mas tem um fundinho. Achei ele bem suave e agradável, não pesa no estômago nem arde a língua. Mas por outro lado ele também não é o refrigerante mais gostoso do planeta.

O que marca no Wewi, não é a embalagem e nem o sabor. É o preço: Paguei módicos R$ 3,00 em uma garrafinha de 250ml. Veja bem. Por este preço, 1 litro de Wewi custaria R$ 12,00 e uma tradicional garrafa de 2L de Wewi custaria R$ 24,00. Eu posso estar enganado, mas por 12 reais você pode comprar 6 garrafas de 1L de Coca-Cola. Tudo bem que o Wewi tem como público alvo um nicho bem específico de consumidor, mas mesmo assim “TA CARO PA CARAI”.

Para finalizar, Wewi é um refrigerante agradável. É suave, refrescante e gostoso. Incito todos à experimentarem, embora seja mais fácil encontrar heroína do que o Wewi para vender. Apenas não seja aquele cara que diz “Noffa eu atóron o Wewi porque é orgânico e eu não consumo nada de origem animal. Só consumo produtos orgânicos, hó hó hó hó”. Por favor. Não seja esse cara. Não seja.

PS: A página do Facebook do Wewi tem menos likes que o Refrigerando. Show them some love, guys.

ANÁLISE

 Sabor: 7

 Mata a sede: 7

 Popularidade: 1 

Embalagem: 7

Preço: 1

Nota geral: 6,5

“Orgânico. Orgânico. ORGÂNICO!!!!”

Maçã Don

Maçã Don

Nome: Maçã Don

Sabor: Maçã

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Bebidas Don

Local: Ribeirão Preto/SP

Preço Pago: R$ 3,00

Este é um registro perdido pelo Refrigerando. Foi encontrada uma fita VHS em uma gaveta esquecida. Neste VHS estavam gravados um episódio de Carga Pesada, quinze minutos de estática, um trecho de Cristian e Ralf no Sabadão Sertanejo, e um episodio perdido do Refrigerando. Gravado em algum momento do décimo segundo ano do segundo milênio, este registro histórico mostra a viagem dos idealizadores até a mais caipira das grande cidades: Ribeirão Preto. Em visita ao feudo de Sir Neto de Gordor, o Jogador Pensante, os guerreiros dessa nave mãe chamada Refrigerando se meteram em altas confusões com uma galerinha da pesada. Este parágrafo pareceu uma TV trocando de canal.

O espécime Ribeironense (não sei como é de verdade) encontrado foi o Maçã Don. O refrigerante nobre, que foi batizado em homenagem há uma visita de Dom Pedro à Ribeirão, como elucidou nosso amigo Neto em uma aula de história falsa.

O Maçã Don é o refrigerante regional mais popular da Região de Ribeirão Preto, não por menos. Mas não botemos o carro à frente dos bois. Vejam o que achamos do Maçã Don logo após os reclames do Renan:

ANÁLISE

 Sabor: 8

 Mata a sede: 7

 Popularidade: 5 

Embalagem: 6

Preço: 6

Nota geral: 7,5

“Dom Pedro aprova”

Datubeba Esportivo

Datubeba Esportivo

Nome: Datubeba Esportivo

Sabor: Guaraná com aroma de Morango, Abacaxi e Maçã (!)

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Esportivo

Local: Santa Bárbara D’Oeste/SP

Preço Pago: Presente de grego

Aqui estamos nós mais um ano. Eu poderia muito bem ter feito uma resolução de ano novo para parar de tomar refrigerante, ou até melhor, deixar de ser idiota. Mas não fiz. E mesmo se tivesse feito, não ia cumprir, porque ninguém nunca cumpre essas coisas e quem diz que cumpre, além de mentiroso é chato. E eu ainda tenho vários refrigerantes estranhos armazenados no meu quarto.

Esta peça rara foi um presente do ilustre corinthiano Matheus Pierry, e vem da grande e gloriosa Santa Bárbara d’Oeste, terra do mítico União Barbarense, e cidade tão, mas tão chique que tem apóstrofe no nome. Se sua cidade não tem apóstrofe no nome, reclame com seus representantes, é uma vergonha como o povo brasileiro não se revolta com nada, nem com causas vitais como esta.

Como chama essa joça?

Como chama essa joça?

Antes de começar, queria abrir aqui um parêntese: Eu não sei exatamente como chamar este refrigerante. Geralmente refrigerantes se chamam Guaraná Fulano, Tubaína Ciclano, Berna Cola ou Apu Guaraná. Mas esse não. O Rótulo é confuso. Ele tem a palavra “Esportivo” rodeando  o rótulo 360º. E esporadicamente a palavra “Datubeba” acompanha. O que diabos é Datubeba? Datubeba é um tipo de refrigerante? Ou é a marca? Mas a marca não era Esportivo? Ou a marca é Datubeba Esportivo. Se é isso, porque o ESPORTIVO grita na sua cara, enquanto o Datubeba é discreto? Fiquei zonzo com este rótulo 360º tresloucado.

Sem contar que, logo abaixo (vide imagem) ele se apresenta como um Refrigerante de Guaraná com aroma de Morango, Abacaxi e Maçã. Cacete. Quem fez isso, o Chaves? Que confusão. Por que não Tutti-Fruti, precisa mesmo listar todos os aromas que usaram no refrigerante com destaque no rótulo. Antes mesmo de tomar esse tal de Jurubeba já fiquei puto com a confusão que o rótulo é. Se o rótulo não consegue ser direto e claro, imagina a linha de produção dessa birosca.

Desce Macio e Reanima

Desce Macio e Reanima

Confusões aparte, parti para esta empreitada sem saber o que esperar. Quem sabe este é mais um daqueles refrigerantes que parecem vagabundos o suficiente pra te deixar sem expectativas e aí ele te surpreende sendo bom. Não quero apressar as coisas, mas SPOILER ALERT: Não é.

Ao abrir a garrafa de Datubeba (não sei porque não me sinto confortável escrevendo essa palavra) o primeiro presságio da tragédia se manifestou pelo soar das cornetas do diabo. Na verdade, não soou nada, pois não tinha gás na garrafa. Geralmente essas peças raras, trazidas de longe não têm gás, acredito eu pela sacolejante viagem que elas tem até chegar ao seu destino final. Jamais saberei se lá em Santa Barba o trem tem gás. Minha companhia para esta empreitada, Alex Alves (The Philosopher) esboçou um olhar de reprovação e arrependimento no ato de abertura da garrafa.

Ao colocar no copo, o choque é constatar que a cor escura e macabra do Esportivo lembra um conhaque brabo de boteco. Além da falta de gás, a clássica cheiradinha na garrafa revela um cheiro leve de Tutti-Frutti. Mais uma vez mostrando quão desnecessária a descrição do rótulo é. Ao tomar, constata-se que o Esportivo não tem nada de Guaraná ou maçã ou morango, mas tem um leve quê de abacaxi. Não é muito doce, ironicamente, por vir da terra chamada de “Pérola Açucareira”.

O estranho Esportivo parece um pouco mais denso do que os demais refrigerantes. Talvez seja a falta de gás. Talvez seja o líquido tentando compreender a sua própria existência confusa. Tirando uma leve ardência na garganta, após alguns goles, não senti nada pelo Esportivo, exceto apatia. É um refrigerante extremamente confuso e sem graça. Pouco gosto, pouco doce, pouca graça e muitas indagações.

O rótulo mostra sombras porcamente desenhadas praticando esportes como vôlei, futebol, atletismo, luge e curling (os dois últimos são mentira, mas seria bem mais legal). Porém o único esporte que o Datubeba Esportivo nos deu vontade de praticar foi Basquete:

Basquete Datubeba

ANÁLISE

 Sabor: 3

 Mata a sede: 4

 Popularidade: 1

Embalagem: 4

Preço: -

Nota geral: 3

“What the Fuck?”

Tubaína Jaboti

Tubaína Jaboti

Nome: Tubaína Jaboti

Sabor: Abacaxi e Maçã

Recipiente: 600ml Pet

Fabricante: Refrigerantes Jaboti

Local: Jaboticabal/SP

Preço Pago: 2,00

Ao voltar para casa, após uma viagem que fizemos até a casa de nosso amigo Neto, o Jogador Pensante, tivemos uma crise de combustível que nos fez desviar de caminho para a cidade mais próxima à procura de um posto de gasolina. Esta cidade foi Jaboticabal e na geladeira do posto de gasolina lá estava ele: O representante municipal dos refrigerantes com grande potencial para mediocridade, a Tubaína Jaboti.

Os mais (ou menos) atentos devem ter percebido que o nome do refrigerante não faz alusão ao réptil Jabuti (é réptil mesmo?) pois este se escreve com “U”. O Nome do refrigerante vem da sua terra natal, Jaboticabal. Este não é o primeiro exemplar nomeado com o prefixo do nome de sua terra. Já resenhamos por aqui o Guaraná Poty, de Potirendaba. Eu entendo a lógica na nomenclatura destes produtos como forma de não gastar tempo pensando em um nome legal e ligar sua marca à identidade da cidade na qual está instalada. Porém, eu acredito que este tipo de nomenclatura abra um precedente muito perigoso: Imaginem como seria o nome de um refrigerante fabricado em Analândia? Anal Cola? E em Pindorama? Pintubaína? Perigoso.

Jabotina Tubaí

A garrafa de Tubaína Jaboti não engana ninguém. Rótulo de papel, na típica garrafinha verde-guaraná-de-bairro. O design do rótulo também merece destaque pela combinação coerente e neo-clássica de amarelo com fontes vermelhas no fundo azul. O Curioso é que na garrafa, a empresa que assina o design se chama GeoDesign e o site deles é uma página que diz “casa de ferreiro, espeto de pau”. Sério. Aqui ó.

Enfim, ao finalmente abrir a garrafa de Tubaína Jaboti, tive uma experiência que jamais tinha tido com qualquer refrigerante: Ao girar a tampa, ouvi um som de algo raspando contra a tampa, como se houvesse areia na boca da garrafa e a tampa estivesse raspando nele. Provavelmente não era areia, mas sim açúcar. Muito saudável.

Após uma experiência auditiva ímpar, tive uma experiência olfativa agradável. A Tubaína Jaboti tem um cheiro forte e característico de salada de frutas. O que condiz bem com o que a garrafa anuncia como sendo um refrigerante misto de Abacaxi e Maçã. Me surpreendi no primeiro gole ao constatar que a Tubaína Jaboti não é tão doce quanto o barulho da sua tampa sugere. Ela tem pouco gás, e um gosto leve e agradável de frutas. Porém, este refrigerante desce pesado. Ele pesa no estômago tanto quanto um Jabuti sedentário. Sério, o gostinho leve e agradável é apenas uma máscara para o chute no estômago que o precede. Procurei na fórmula do refrigerante algum traço de chumbo ou outro metal pesado, mas não encontrei. Além do peso, a Tubaína Jaboti presenteia o consumidor com uma tsunami de saliva na boca após o consumo. Acredito que não seria um produto bem aceito no Sri Lanka.

Apesar de tudo, a Tubaína Jaboti é refrescante e tem um gosto bom, suave e agradável, que permanece no fundo da boca após o consumo. Porém o peso de lutador de sumo e a tsunami de fluidos bucais não colaboram com uma apreciação mais intensa e agradável. Resumindo, é um refrigerante gostoso porém é pesado e deve ser apreciado lentamente, para não inundar sua sala de saliva. Pensando bem, o nome Jaboti é realmente bem adequado. Vejam só vocês!

ANÁLISE

 Sabor: 7

 Mata a sede: 6

 Popularidade: 4

Embalagem: 5

Preço: 5

Nota geral: 6

“Leve como um jabuti sedentário”

Timão Baína e Guara Nação

Imagem

Nome: Guara Nação e Timão Baína

Sabor: Guaraná e Tubaína

Recipiente: 2L Pet

Fabricante: Arco-Íris Bebidas

Local: São José do Rio Preto/SP

Preço Pago: 2,90

Estamos aqui novamente na labuta, desta vez para mostrar pra vocês uma dupla de produtos que são paradoxalmente inusitados e óbvios ao mesmo tempo: O Guara Nação e o Timão Baína. Eles são inusitados porque, francamente, são refrigerantes de time de futebol. E são óbvios porque o departamento de marketing do Corinthians anda licenciando a marca pra tudo. Literalmente tudo. Desde chinelos e celulares até máquinas do tempo e supositórios, tudo do Corinthians, ainda que o São Paulo tenha seguido a corrente e lançado sua linha de supositórios Extra-Grandes. Erm, então, onde estávamos? Ah sim, refrigerantes do Corinthians!
Estas peças de arte moderna acabaram de chegar ao mercado, e para fazer uma grande piada cósmica, o universo fez com que o fabricante fosse de São José do Rio Preto, à apenas 8km do epicentro da ironia refrigerantística mundial. Portanto, tivemos a oportunidade de experimentar estas iguarias antes do que a maioria dos 30 milhões de potenciais consumidores. Digo isso, pois conhecendo brasileiros e futebol como nós conhecemos, é irreal esperar que um São Paulino, Palmeirense ou Santista compre um Guará Nação para levar para sua casa e saborear com sua família, correto? Por sorte, 100% do staff do Refrigerando tem a sorte e orgulho de torcer para o time mais elegante e sofisticado da  Zona Leste de São Paulo (Estes dados podem ter sido manipulados).

Quem acompanha o Refrigerando sabe como é incerto este mundo dos refrigerantes. Mas uma coisa é certa, devem ser refrigerantes de primeira, pois se fossem de segunda teriam a marca do Palmeiras. Entendeu? É porque o Palmeiras foi rebaixado para a segunda divisão. De novo. Sacou agora?

E que ocasião melhor para experimentar um refrigerante do Corinthians do que durante o tão esperado Mundial de Clubes?!? Até parece que foi planejado, né?!

Assista o vídeo abaixo para saber o que achamos destes produtos do marketing e paixão exacerbada por times de futebol. Veja até o fim para saber se o refrigerante do Corinthians “roubou” um lugar nos nossos corações. Sacou? Por que o Corinthians é time de bandido. Ahm, ahm? Pegou?

ANÁLISE (Guara Nação)

 Sabor: 8

Mata a Sede: 9

Popularidade: 7

Embalagem: 5

Preço: 7

Nota Geral: 8

ANÁLISE (Timão Baína)

 Sabor: 5

Mata a Sede: 7

Popularidade: 7

Embalagem: 5

Preço: 7

Nota Geral: 6

“Banzai Corinthians!”

Making of Refrigerando

Você. Sim, você. Você sempre quis saber como são feitos os videos do canal mais hilariante deste quadrante da galáxia? Sério? Eu também sempre quis saber como eles fazem os videos do Porta dos Fundos, mas vamos falar de Refrigerando.

Abaixo vocês terão a oportunidade de realizar uma viagem sem volta pelo glamouroso mundo do Refrigerando. Ok, não é glamouroso, mas a gente tenta enganar. Ok, nem tenta. Vê aí e fica de boa, vai.

Guaraná São Carlos

Nome: São Carlos

Sabor: Guaraná

Recipiente: 1l Pet

Fabricante: Ticare Bebidas

Local: São Carlos/SP

Preço Pago: R$ 3,00

Na última vez que aventurei-me pelas entranhas da maior selva de concreto da América Latina, em busca de pedras preciosas, temperos,  especiarias e metal progressivo, parei em um famoso posto e santuário rodoviário (bem conhecido pelos paulistas do Noroeste) chamado Castelo. No castelo, após vencer o primeiro boss na base do tank and spank e passar dos mobs usando vanish e sap… erm, desculpe. Meus olhos, que foram muito bem treinados para identificar qualquer tipo de vida estranha na prateleira de bebidas, encontrou uma peça que eu nunca havia ouvido falar: o Guaraná São Carlos. Imediatamente capturei-o, pois Refrigerantes são como Pokémons, temos que pegar. Vocês não, nós do Refrigerando temos. Na verdade não temos. Eu poderia simplesmente parar de tomar estes lixos e deixar vocês se divertirem com um das dezenas de milhares de blogs Cntrl C + Cntrl V da internet, que recebem mais de 10 mil vezes mais acessos que o Refrigerando, não é mesmo? Mas não farei isso. Por enquanto. Fiquem espertos, vacilões.

4:20 Hora de tomar São Carlos

Após alguns dias de medo e tensão disfarçados de procrastinação, resolvi tirar o feto da sacola e encará-lo de frente. E ao encará-lo notei como o Guaraná São Carlos não faz o menor esforço para parecer menos vagabundo do que é. Sério, ao olhar pro São Carlos ao lado da Coca-Cola é como ver um executivo de terno Armani ao lado de um hippie sujo tocando Raul Seixas e pedindo uns trocados pra comer um salgado na pastelaria do Chinês.

O plástico usado na embalagem é tão fino, que é translúcido. Podemos ver os recortes do plástico sobrando nos cantos do rótulo, e o design… ah o design.
Certamente, o dono da Fábrica não sabia como criar um logotipo e um rótulo, então ele pediu para o seu sobrinho de 16 anos, o Jailson, pois Jailson havia feito um curso de webdesign na Microlins, então era um hacker dos computador. Jailson, utilizando todo seu conhecimento em Corel Draw, desenhou um belo rótulo para seu tio. Porém, como Jailson é um menino saidinho e anda com uma galerinha da pesada que curte um Bob Marley e um SOJA, usou suas influências cannabísticas e rastafarianas, e criou o rótulo de refrigerante mais maconheiro da América Latina (incluindo Bolívia e adjacências). Belíssima combinação de amarelo, vermelho e verde. Brincadeiras aparte, estou certo de que o designer do rótulo só queria prestar uma homenagem à soberana e orgulhosa nação do Senegal. Nada mais.

Após não ter sido estimulado nem um pouco, pelo seu rótulo, fui para a experiência paladar sem esperanças e preconceitos (mentira, muitos preconceitos). Após o primeiro gole constatei que o Guaraná São Carlos é mais um daqueles produtos de características tão aguçadas, sabores tão gritantes e texturas tão belas, que ao tentar discernir o que sua boca está sentindo, seu cérebro entra em curto-circuito e sua mente exibe uma tela de Erro 404 – Sabor não encontrado. O Guaraná São Carlos é um refrigerante vagabundo. Quem esperava por essa, não é mesmo? Ele tem pouco gosto e não tem cheiro algum. Exceto pelo leve gosto de caramelo e um toque de sabor de groselha (!?!) o São Carlos nada tem à oferecer. Não tem o gosto tradicional de guaraná nem aroma, nem… nem nada.  Se não carregasse no nome a responsabilidade que a palavra Guaraná trás, poderia ter se dado melhor como Refresco São Carlos.

Após o consumo de um copo, me senti empanturrado, com a língua ardendo BASTANTE e com fome (esta frase tem como objetivo remeter ironicamente ao Parágrafo 3, onde o autor classificou o sujeito como ‘maconheiro’, pois segundo o conhecimento popular, usuários de Maconha [Cannabis Sativa] sentem muita fome após consumi-la através da sua queima em formato de cigarro). Esperei o barato, mas, novamente, fui decepcionado pelo São Carlos.

Nem vou comentar o nome do Fabricante ‘Ticare Bebidas‘ porque, francamente. Resumindo, o Guaraná São Carlos é vagabundo, mas vagabundo mesmo, daqueles que tem 34 anos, moram com a mãe, não trabalham nem estudam e gastam sua mesada comprando jogos piratas de XBOX 360. Ele é tão sem graça, que deveria ter vergonha de ter seu nome no plural e ao invés de se chamar São Carlos, deveria se chamar É Carlo (Esta frase foi inserida pelo autor para terminar o texto de maneira irreverente, porém, como podem perceber o mesmo falhou em sua tentativa, o que resultou em um final inconclusivo, que empobreceu a qualidade linguística e gramatical do todo).

ANÁLISE 

Sabor: 3

Mata a Sede: 5

Popularidade: 1

Embalagem: 2

Preço: 3

Nota Geral: 3

“420 Guaraná ”

Mistery Cola

Texto traduzido. Original aqui:

Meu nome é John, e eu vivo em Atlanta, EUA e vou contar para vocês uma experiência traumática pela qual passei . Trabalho em uma grande empresa de consultoria financeira. Tive sorte quando me mudei para cá, pois consegui um apartamento muito próximo ao meu local de trabalho, no centro antigo da cidade. Apesar da vizinhança não ser a mais bonita e agradável de Atlanta, ao menos é prático e rápido para eu chegar ao trabalho a pé.

Todos os dias eu passava por uma ruela suja e mal movimentada, pois era um atalho até a empresa. Ela fica atrás de uma peixaria, então sempre passava rápido por ela pra evitar ficar mais tempo do que o necessário cheirando peixe morto. Mas algo sempre chamou minha atenção nesta ruela. Em um canto bem esquecido da parede, tinha algo que parecia não pertencer àquele lugar. Uma máquina de Coca antiga. Ela parecia ter saído de um filme de época dos anos 70. Era grande, sólida, e apesar de enferrujada e com muitas escoriações, parecia funcionar ainda. Sempre passei por ela e imaginei de quem poderia ser aquela peça de museu colocada ali num beco qualquer? Quem carregaria aquela máquina com refrigerante? Quem seria tão estúpido de desperdiçar uma máquina daquelas em um lugar em que quase ninguém nunca passa? Tudo isso sempre passava pela minha mente, mas sempre sumia dela assim que eu virava a esquina.

Em um dia muito quente de verão, eu estava voltando do trabalho, cansado e suado, quando cheguei ao beco. Era a ocasião perfeita para ver se a máquina estava funcionando ou não. Parei em frente à máquina e percebi que ela havia sido vandalizada. Na parte abaixo do slot de moedas, alguém havia riscado com um objeto metálico “Embrace Your Fate” (Aceite seu destino) o que é curioso, e original, perto de tantos pênis e tantos “fucks” pichados por Atlanta. Busquei moedas pelo meu bolso, mas  só encontrei 35 cents. Fiquei frustrado e resolvi continuar meu caminho. Mas após uns 2 ou 3 passos, olhei para o chão e vi algo. Era uma moeda de 1 dólar, mas estava quase irreconhecível. Toda preta, riscada e deteriorada, mas a máquina certamente aceitaria. Por um instante me entreti com o que, no momento, julguei ser sorte de encontrar uma moeda enquanto tentava comprar uma Coca sem dinheiro. Não era sorte. Continuar a ler

Guaraná Maná

Nome: Maná

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Bebidas Maná (talvez)

Local: Araguaína/TO

Preço Pago: R$ 3,00

Quer maneira melhor de celebrar a pluralidade e heterogeneidade deste Brasil varonil do que sorver os mais diversos refrigerantes das mais diversas partes do Brasil? Na  verdade, consigo pensar em algumas dezenas de maneiras melhores, mas não quero ser estraga prazeres.
Nosso exemplar da vixissitude e da caracalicidade da indústria neo-liberal brasileira desta vez é o Guaraná Maná, que vem do grandioso e maravilhoso Tocantins.

“hmmmm… Grifinória!”

O que é Tocantins? Você deve estar se perguntando, e eu vou elucidar vocês, caros leitores, como de costume: O Tocantins, que também é conhecido como Acre Maior, é o estado mais jovem, da mais jovial república federativa do mundo, o Brasil. Como todo caçula moderno, o Tocantins tem um apreço grande pelo fantástico universo literário criado por J.K. Rowling, a saga Harry Potter, e por isso resolveu assumir a forma de Chapéu Seletor.

De alguma forma ainda não relatada pelos historiadores, nosso querido amigo Fernando Pagliarini apareceu pelas bandas superpopulosas do Tocantins e voltou de lá com uma cicatriz emocional em formato de garrafa pet, chamada Guaraná Maná. Sim, o orgulhoso produto filho de Tocantins tem nome de banda de rock medíocre do México e de adubo agrícola. Choose Your Destiny.

Primeiro de tudo, atente para a foto da embalagem de Maná. Ela não te lembra alguma coisa, além do seu tio careca e barrigudo, que sempre após os almoços de família se deita no chão com a barriga à mostra e dorme  peidando freneticamente? Sim, você acertou amigo leitor, a embalagem de Guaraná Maná é uma cópia descarada do Guaraná Antarctica, mas isso já não é surpresa alguma, visto que 85% das embalagens analisadas pelas mentes afiadas do Refrigerando é cópia de um dos 3 líderes do mercado de refrigerantes.

Em uma tarde de ensolarada de sábado, e na vitrola o Whisky a Go-Go, as mentes mais afiadas e os corpos mais preparados da Alta-Araraquarense reuniram-se para um futebol e uma piscina ao molho de salsicha. Porém a tranquilidade e felicidade de todos foi interrompida quando umaa tentativa de homicídio triplamente qualificado em forma de refrigerante de guaraná foi abruptamente introduzida. Porém, para surpresa de todos e tristeza geral da nação, a experiência não foi tão terrível quanto todos esperam desta birosca. Confira abaixo esta tentativa desesperada e falha de angariar atenção, carinho e googledolares em renda de adsense:

ANÁLISE 

Sabor: 7

Mata a Sede: 7

Popularidade: 3

Embalagem: 5

Preço: 6

Nota Geral: 7

“Com Maná, adubando dá!”