Guaraná Poty (Quente)

Nome: Guaraná Poty

Sabor: Guaraná

Recipiente: 600ml Pet

Fabricante: Bebidas Poty 

Local: Potirendaba – SP

Preço pago: R$ 1,75

Post realizado por Neto Bonome, do blog gamemaníaco Jogador Pensante.

Resenha: Depois de muito relutar em fazer um post para o Refrigerando (e de muita insistência [encheção de saco] do Guilherme), resolvi hoje após o serviço ir à caça de algum refrigerante. Minha caça não foi longa e nem tardou a chegar, pois logo minha avó me mandou buscar pão na padaria mais próxima, a Nossa Senhora Aparecida (é o nome da padaria, e não da minha avó).

Esperava encontrar um Guaraná Jabuti, mas acho que da outra vez que compareci ao estabelecimento supracitado eu vi somente o T do rótulo e deduzi ser o saudoso Jabuti. Na verdade era o Guaraná Poty, que dizem as más línguas ser bom. Nunca havia provado, ou alguém já havia me servido ele e não me dito, pois, veja bem, é meio vergonhoso na sociedade hipócrita atual dizer para sua visita “Olhe só, lhe trouxe um Guaraná Poty”. O cinismo da população pequeno-burguesa de hoje somente permite que se diga “Ah, é Guaraná Antárctica Diet”, isso quando não usam a tosquíssima alcuinha ZERO.

Aliás, devo dizer a minha opinião sobre isso de light, diet e zero. Tomar refrigerante não é saudável e você deveria saber disso. Entenda: tomar refrigerante é uma arte, não é somente para se refrescar. Então se você quer realmente ser saudável, sem barriga, um verdadeiro atleta, não é tomando um refrigerante que surpreendentemente possui ZERO CALORIAS (Ui, ele não tem calorias!) que isso vai te ajudar. Ou pior é quando se vê aquela pessoa que pede um X-Tudo “caprichado no bacon” e insiste em pedir, acompanhando, uma Coca-Cola Zero, mostrando a todos como ela é saudável enquanto sua boca está toda lambuzada pelo excesso de maionese no seu lanche e pela gordura do bacon. Meus parabéns, de verdade, por conseguir enganar a si próprio, enquanto provavelmente os garçons do estabelecimento riem de você.

Divagações e revoltas à parte, comprei o guaraná, em uma embalagem Pet de 600ml, por razões de conforto, visto que é mais confortável somente abrir o guaraná e tomar no bico (é possível fazer isso com um de 2l, mas provavelmente seus parentes vão te olhar muito feio e até mesmo vão te chamar de Chupeta de Baleia… é uma possibilidade). É perceptível que não houve muita criatividade na hora dese fazer o rótulo deste produto, além do que é a primeira vez que vejo um refrigerante de garrafa Pet cujo rótulo é de PAPEL. Geralmente nos deparamos com plástico, mas esse é de papel e é facilmente rasgado por suas unhas. Outro fato marcante é a tentativa de se criar uma espécie de smiley utilizando a folha e o fruto do guaraná. Funcionaria no MSN, talvez. Mas aqui é só… vergonhoso.

Enfim, com a impressão de que o guaraná estava gelado o suficiente, o abri (não sem antes deixá-lo cair no chão, o que poderia gerar uma erupção a nível vulcânica na hora de abrir) e então muito gás saiu, o que não foi uma boa impressão. Foi aí que percebi que fui enganado pela embalagem, que se mostrou gelada ao toque, porém na verdade estava quente. Esse guaraná já não me soava muito bem antes de abri-lo, pelo rótulo principalmente, mas agora quando o momento de epifania finalmente me atingiu eu gostei menos ainda. Não que eu tenha algum problema com guaranás de pequenas empresas, mas esse rótulo de papel não me convenceu.

Como foi posto lá em cima, beber refrigerante é uma arte, então algumas considerações devem ser feitas na abertura de uma garrafa da bebida gaseificada. Vou melhorar, vou fazer uma consideração só: cheirar o refrigerante. Por que só se cheira os vinhos? Que que esse negócio feito de uva (e todos sabemos que Fanta Uva não é nada bom, só para fazer uma ponte entre o mundo dos

Uma arte.

refrigerantes e o mundo chique e cheiroso dos vinhos) deve ser cheirado e um refrigerante não? Não se engane, leitor: o cheiro faz parte da degustação. Todo mundo se sente atraído por um belo bife sendo frito (a não ser os vegetarianos, ou alguém sem nariz), portanto sabe-se do poder de um aroma refinado. Portanto, aqui vai o apelo: deixe de lado esse preconceito e passe a cheirar o líquido gaseificado que está dentro da garrafa.

O primeiro gole foi terrível. O problema de se beber um guaraná quente são os dois, três primeiros goles. Depois é possível tomá-lo sem maiores contratempos (ou que suas papilas gustativas finalmente façam greve e armem um panelaço dentro da sua boca). O refrigerante é bem gaseificado e ácido, deixou minha língua dormente até. E era doce. Extremamente doce. Eu não sou de tomar muitos guaranás, eu prefiro os refrigerantes de laranja ou os de cola, mas esse era muito doce, ainda mais quente, o que realçava o gosto de algodão-doce da coisa. Se eu quisesse algo tão doce assim, compraria uma garapa na Kombi ano 83 modelo 84 do Zé aqui perto de casa.

Era como se eu estivesse tomando um guaraná diet, e quente. E o calor de Ribeirão Preto não ajuda também no caso. Eu queria tomar para me refrescar e acabei sendo trollado e fiquei foi com mais calor ainda. E o gosto de doce no fundo da garganta não é muito bom, fica aquele gosto meio amargo, meio doce… é a mesma coisa dos diet, zero e afins (e vocês já sabem do meu desprezo para essa categoria de refrigerante,  se é que isso pode ter o orgulho de ser chamado de refrigerante)…

Bom, depois de tomar no bico, como um bezerro que mama direto nas tetas de sua mãe (que por sinal é uma vaca), o Guaraná Poty quente, veio o castigo: uma azia impiedosa. Não sei se tem a ver com o meu refluxo, que faz a minha azia ser na base da garganta, e não uma queimação no estômago em si, mas começou a queimar, como se meu pescoço estivesse em brasa… todo o gás quente do refrigerante foi convertido em um verdadeiro incêndio. Mas logo passou, como todas as minhas azias: são intermitentes.

Finalizando, minha experiência com o Guaraná Poty não foi positiva. E se um guaraná não se mostrou bom QUENTE, a culpa não é minha. A culpa é, primeiramente, do calor, segundamente, da padaria e, terceiramente, do próprio refrigerante. E nem ligo se você aí que tá lendo acha que eu deveria ter deixado gelando mais ou fazer uma análise mais minuciosa, ou, ainda, nem sequer fazer a resenha.

O Guaraná Poty é extremamente doce, como um belo pedaço de cana-de-açúcar. Mas o segredo dele é travestir o intenso gosto de açúcar com uma boa gaseificação, que chega a níveis exorbitantes quando quente.

Esse refrigerante eu defino como uma das grandes enganações da minha vida, pois:

Primeiro: disseram-me que era bom;

Segundo: pensei que era o Guaraná Jabuti (que se bobear nem fabricam mais);

Terceiro: pensei que estava gelado, e não estava.

Espero que você, leitor, não se engane e leve uma Maçã Dom (que é o que eu deveria ter feito).

ANÁLISE

Sabor: 4

Mata a sede: 1

Popularidade: 6

Embalagem: 4

Preço: 3

Nota geral: 4

“Prepara o sal de fruta.”