Nome: Aki Cola
Sabor: Cola
Recipiente: 2l Pet
Fabricante: Venturini e Florêncio Bebidas
Local: Cassilândia/MS
Preço Pago: R$2,30
Primeiro Ato – Presságio
Era uma tarde de inverno, mas não sentia frio na pele. Apenas dentro de mim. O sol entrava pelas frestas da janela e acertava a poeira fazendo-a dançar uma valsa psicótica com o ar. A monotonia de um sábado qualquer de junho sufocava-me e deixava-me absorto em um passado que nunca havia vivido. Levantei-me de minha cama como uma múmia que há mil anos não levantava-se de sua tumba. Cambaleei até o rodapé da porta e nele me segurei, esperando sentir uma brisa fresca e revigorante. Senti apenas o vazio de uma existência insignificante e o ardor de um mundo decadente. Crianças chutavam uma lata na rua. O tilintar da lata soava em minha cabeça como um brandir infernal de espadas prontas para decaptar minha mente e salvar-me de minha própria insanidade. Deixei o rodapé da porta e arrastei-me novamente em direção à minha tumba.
Ao sentir o ar parado e morto de meu aposento, algo me soou aos ouvidos, como se vindo de um espírito. “Aqui…” “Aqui..” Dizia aquela voz fúnebre e macabra. Olhei ao meu redor, e não havia nada, além da insuportável inércia de minha sofrível vida. O que seria? Um presságio? Um mau agouro? Fiquei absorto nesta indagação até que algo mais forte expurgou esta palavra de minha mente. Era sede. Não tomava nada há algumas horas, e meu cambaleante corpo gritava por socorro de dentro de minha garganta. Me dirigi até a geladeira. Ao tocar em sua porta senti um calafrio percorrer meu corpo como uma carga elétrica. Respirei fundo, abri a porta e me encontrei encarando ela. A voz em minha mente. O mau agouro. O presságio… A Aki Cola.
Segundo Ato – Rendezvous
Tentei ignorar a presença dela em minha geladeira, mas era mais forte, mais viva. Tentei direcionar minhas atenções para a água que jazia em uma garrafa de Guaraná Cotuba, mas todas as fibras de meu ser eram atraídos para aquela garrafa negra como a morte, como uma mariposa é atraída pela luz. Peguei a garrafa que estava fria como o inverno que se recusava a aparecer. Repousei-a sobre a mesa e parei ali por alguns instantes apenas contemplando-a. Revisitei todo o trajeto da minha vida, o tecido do acaso que me trouxe até este momento. A poeira dançava no ar ao redor da garrafa, como se me convidando para dançar com elas a dança da morte.
Conjurei toda coragem de meu âmago e abri a tampa da garrafa. O som do gás fugindo furiosamente do interior da garrafa soava como um grito de socorro. Como se o gás estivesse tão horrorizado pelo mal contido naquele receptáculo, que no segundo que pôde aproveitou a chance e fugiu daquela cela. Levei o nariz até a boca da garrafa e traguei o ar ao redor da mesma. Senti minhas narinas e meu cérebro queimarem como se tivesse cheirado uma carreira de ácido sulfúrico. Após enxugar as lágrimas provenientes desta experiência, peguei um copo. Minha mente implorava para que eu desse as costas para aquela garrafa macabra, mas minha garganta estava seca e quente e inquieta como um deserto em meio à uma tempestade de areia. Para meu infortúnio, meu corpo venceu o embate contra minha mente e eu tive que me render ao seu sadismo.
Terceiro Ato – Sofrimento
Levei até meus lábios aquele copo empoeirado, com seu conteúdo negro como a mais escura das noites e sorvi o conteúdo dele em três goles. O primeiro gole me revelou uma acidez que não pertence àquele corpo. O segundo gole me revelou um gosto medonho de uma mistura química que nenhum homem jamais deveria sentir na vida. O terceiro gole me revelou a face da morte. Ela estava diante de mim, me olhando nos olhos. Me penetrando a alma com seu toque cadavérico. Ao cair de volta a realidade, meu copo estava novamente cheio de Aki Cola. Meu Tyler Durden interior, me empurrando em direção à anarquia? Meu subconsciente agonizante tentando sua libertação com a morte de meu corpo decadente? A própria morte, me chamando para uma partida de xadrez metafísica? Tanto faz. Eu já havia visto a morte de frente, e de repente não sentia mais medo. Peguei o copo com uma força vinda do fundo de minha alma e sorvi furiosamente o segundo copo. Aquele líquido nesfasto e maléfico era absorvido pelo meu corpo, deixando como rastro apenas seu gosto de ferrugem, produtos químicos e Pepsi estragada em minha língua.
Eu havia pagado um preço caro por minha sede. Não foram os pouco mais de 2 reais da Aki Cola. Foi minha força vital. Minha vontade de viver e minha dignidade. Aquela garrafa negra havia drenado de mim todas minhas forças. Eu já não possuía nada mais pelo que viver, então, dei-me o prazer de me libertar desta vida de dor e miséria. Amaldiçoando o dia em que cruzei com o caminho da Aki Cola, tomei o conteúdo da garrafa até não mais poder me mexer. Vi tudo ao meu redor ficar escuro, exceto por uma luz ao longe. Ela ficava cada vez maior, e eu andei em direção a ela.
Winners don’t do Drugs.
Feliz dia do Escritor.
ANÁLISE
Sabor: 1
Mata a Sede: 1
Popularidade: 1
Embalagem: 1
Nota Geral: 1
“O horror…”

Sabor: 1
Mata a Sede: – 5 HAHAHAHAHAHA
Popularidade: 1…
MEDO define.
Quero isso aí tbm.
Vixe Maria
o texto me emocionou
o texto me emocionou [2]
O texto me emocionou [3]
Estou emocionado com esse belo texto. Bárbaro!
Em sua homenagem prometo nunca tomar este liquido que nos remete ao lado negro da força.
Fazer sexo é melhor que o refrigerante “Aki Cola”.
Escreve bem demais!
Aki não Cola.
[...] e q ele eh leve nao pesa na barriga nem nada nao da vontade de da um kgaum dps di tomar (rsrsrsrsr aki cola da vontad d da kagaum nem toma vai se arrepende [...]