Guaraná Gol e Guarapan

Nome: Guaraná Gol

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: BH Refrigerantes, Mineração de Aguas Sant’Anna e Drink House (três?!)

Local: Belo Horizonte/MG

Preço Pago: R$2,00

Nome: Guarapan

Sabor: Maçã

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: The Coca Cola Company

Local: Belo Horizonte/MG

Preço Pago: Presenteias Quae Sera Tamen

 

Era um sábado qualquer. Parado. Monótono, aí de repente, BAM! Duas pedradas mineiras em nossas caras. Foi mais ou menos o que aconteceu. As entrépidas almas do Refrigerando se reuniram mais uma vez para uma sessão de degustação auto-destrutiva.

Desta vez, os produtos da cultura pós-moderna escolhidos para entreter os leitores com nossa auto-flagelação foram dois refrigerantes de origem mineira. Juro que foi sem querer, mas ambos são da mesma cidade: Belo Horizonte, a Houston brasileira. Os dois produtos mais pródigos de Minas Gerais, depois do queijo e da goiabada foram: o Guaraná Gol, que adquirimos na megalópole de Jaci/SP, durante nossa peregrinação pelo noroeste paulista, em busca de formas de vida não identificadas, e o Guarapan, que é mais um experimento farmacêutico bisonho que falhou e acabou milagrosamente comprado pela Coca-Cola. Esta peça foi nos presenteada, mais uma vez, por nosso amigo Guma Thunderstorm, que já está com uma ordem de prisão preventiva endereçada à seu nome.

O Guarapan é uma bagunça: É preto, é de maçã e tem gosto de framboesa. Mais um exemplo da infinita criatividade mineira, dentro do ofício de refrigerantista.  Já o Guaraná Gol, é o clássico refrigerante furreca. Não tem gás, nem gosto e nem graça. Provavelmente estava estragado, mas isso você poderá conferir no video abaixo.

PS: O post saiu um tanto atrasado, eu sei. Infelizmente, por mais glamuroso que o ofício de degustador de refrigerantes imbecis possa parecer, nós não vivemos disso, portanto não podemos nos dedicar à postar para vocês todos os dias. Então guarde seu comentário odioso sobre a falta de posts para outra ocasião e assista o vídeo.

ANÁLISE – Guaraná Gol

Sabor: 3

Mata a Sede: 2

Popularidade:  3

Embalagem: 2

Nota Geral: 2,5* (possivelmente estragado)

“Goooooool…. contra!”

ANÁLISE – Guarapan

Sabor: 7

Mata a Sede: 4

Popularidade: 5

Embalagem: 6

Nota Geral: 6,5

“É de maçã, parece de cola mas tem gosto de framboesa”

Aki Cola

Nome: Aki Cola

Sabor: Cola

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Venturini e Florêncio Bebidas

Local: Cassilândia/MS

Preço Pago: R$2,30

Primeiro Ato – Presságio

Era uma tarde de inverno, mas não sentia frio na pele. Apenas dentro de mim. O sol entrava pelas frestas da janela e acertava a poeira fazendo-a dançar uma valsa psicótica com o ar. A monotonia de um sábado qualquer de junho sufocava-me e deixava-me absorto em um passado que nunca havia vivido. Levantei-me de minha cama como uma múmia que há mil anos não levantava-se de sua tumba. Cambaleei até o rodapé da porta e nele me segurei, esperando sentir uma brisa fresca e revigorante. Senti apenas o vazio de uma existência insignificante e o ardor de um mundo decadente. Crianças chutavam uma lata na rua. O tilintar da lata soava em minha cabeça como um brandir infernal de espadas prontas para decaptar minha mente e salvar-me de minha própria insanidade. Deixei o rodapé da porta e arrastei-me novamente em direção à minha tumba.

Ao sentir o ar parado e morto de meu aposento, algo me soou aos ouvidos, como se vindo de um espírito. “Aqui…” “Aqui..” Dizia aquela voz fúnebre e macabra. Olhei ao meu redor, e não havia nada, além da insuportável inércia de minha sofrível vida. O que seria? Um presságio? Um mau agouro? Fiquei absorto nesta indagação até que algo mais forte expurgou esta palavra de minha mente. Era sede. Não tomava  nada há algumas horas, e meu cambaleante corpo gritava por socorro de dentro de minha garganta. Me dirigi até a geladeira. Ao tocar em sua porta senti um calafrio percorrer meu corpo como uma carga elétrica. Respirei fundo, abri a porta e me encontrei encarando ela. A voz em minha mente. O mau agouro. O presságio… A Aki Cola.

Segundo Ato – Rendezvous

Tentei ignorar a presença dela em minha geladeira, mas era mais forte, mais viva. Tentei direcionar minhas atenções para a água que jazia em uma garrafa de Guaraná Cotuba, mas todas as fibras de meu ser eram atraídos para aquela garrafa negra como a morte, como uma mariposa é atraída pela luz. Peguei a garrafa que estava fria como o inverno que se recusava a aparecer. Repousei-a sobre a mesa e parei ali por alguns instantes apenas contemplando-a. Revisitei todo o trajeto da minha vida, o tecido do acaso que me trouxe até este momento. A poeira dançava no ar ao redor da garrafa, como se me convidando para dançar com elas a dança da morte.

Conjurei toda coragem de meu âmago e abri a tampa da garrafa. O som do gás fugindo furiosamente do interior da garrafa soava como um grito de socorro. Como se o gás estivesse tão horrorizado pelo mal contido naquele receptáculo, que no segundo que pôde aproveitou a chance e fugiu daquela cela. Levei o nariz até a boca da garrafa e traguei o ar ao redor da mesma. Senti minhas narinas e meu cérebro queimarem como se tivesse cheirado uma carreira de ácido sulfúrico. Após enxugar as lágrimas provenientes desta experiência, peguei um copo. Minha mente implorava para que eu desse as costas para aquela garrafa macabra, mas minha garganta estava seca e quente e inquieta como um deserto em meio à uma tempestade de areia. Para meu infortúnio, meu corpo venceu o embate contra minha mente e eu tive que me render ao seu sadismo.

Terceiro Ato – Sofrimento

Levei até meus lábios aquele copo empoeirado, com seu conteúdo negro como a mais escura das noites e sorvi o conteúdo dele em três goles. O primeiro gole me revelou uma acidez que não pertence àquele corpo. O segundo gole me revelou um gosto medonho de uma mistura química que nenhum homem jamais deveria sentir na vida. O terceiro gole me revelou a face da morte. Ela estava diante de mim, me olhando nos olhos. Me penetrando a alma com seu toque cadavérico. Ao cair de volta a realidade, meu copo estava novamente cheio de Aki Cola.  Meu Tyler Durden interior, me empurrando em direção à anarquia? Meu subconsciente agonizante tentando sua libertação com a morte de meu corpo decadente? A própria morte, me chamando para uma partida de xadrez metafísica? Tanto faz. Eu já havia visto a morte de frente,  e de repente não sentia mais medo. Peguei o copo com uma força vinda do fundo de minha alma e sorvi furiosamente o segundo copo. Aquele líquido nesfasto e maléfico era absorvido pelo meu corpo, deixando como rastro apenas seu gosto de ferrugem, produtos químicos e Pepsi estragada em minha língua.

Eu havia pagado um preço caro por minha sede. Não foram os pouco mais de 2 reais da Aki Cola. Foi minha força vital. Minha vontade de viver e minha dignidade. Aquela garrafa negra havia drenado de mim todas minhas forças. Eu já não possuía nada mais pelo que viver, então, dei-me o prazer de me libertar desta vida de dor e miséria. Amaldiçoando o dia em que cruzei com o caminho da Aki Cola, tomei o conteúdo da garrafa até não mais poder me mexer. Vi tudo ao meu redor ficar escuro, exceto por uma luz ao longe. Ela ficava cada vez maior, e eu andei em direção a ela.

Winners don’t do Drugs.

Feliz dia do Escritor.

ANÁLISE

Sabor: 1

Mata a Sede: 1

Popularidade:  1

Embalagem: 1

Nota Geral: 1

“O horror…”

ميرندا (El Porto Klali?)

Nome: ميرندا (El Porto Klali?)

Sabor: البرتقالي    ( Laranja. Ou tangerina. Ou era mexerica?)

Fabricante: Pelo logotipo dever ser uma subsidiária da Pepsico ou um clone Árabe (o Paraguai e a China não são os únicos povos no mundo que fazem isso).

Local: مصر (Alguma bisonha ex-colônia francesa no norte da África)

Preço: € 1,49 (no Auchan da Avenue Gén de Gaulle, 26 – Paris)

Apresento à vocês a primeira resenha feita por leitores do Refrigerando. Nosso amigo Arthur Meucci nos enviou a resenha de um refrigerante árabe experimentado em Paris. E você aí no Groupon procurando aquela oferta para finalmente poder conhecer Punta del Este, ein? Agradeço ao  Arthur, que escreveu o texto e nos enviou. Divirtam-se com as aventuras de Arthur e seus amigos em Paris, a Paris da Europa:

Graças aos colegas fundadores do Refrigerando trago aos leitores masoquistas deste famigerado blog minhas tristes experiências com os gaseificados importados. Se você acha que só o Brasil faz merda está ledamente enganado.

Caminhando com meus amigos Martin Alcover, Gustavo Dainezi e Amauri Meira no Norte de Paris resolvemos fazer compras na famosa rede de supermercados populares Auchan. Como bons fanfarrões nós imediatamente nos dirigimos ao setor de bebidas. Ao chegarmos no setor de refrigerantes uma surpresa – inúmeras variedades de bebidas gaseificadas dos mais variados tipos. Um refrigerante me chamou a atenção pelas cores e pelos símbolos árabes exóticos. Tinha uma embalagem que lembrava um pouco a nossa famosa Sukita (acabei acendendo uma vela na Catedral de Notre Dame por sua recuperação no Brasil e ao Tio que não mora no 21oandar).

ALAHU AKBAR!

Chegando ao Hotel colocamos o refrigerante para gelar e o abrimos junto com nossa comitiva brasileira para avaliar o produto. Perguntamos para uma camareira argelina o nome do produto. Ela respondia os nossos “- Qu´est-ce que c´est?” com “- C´est el porto klali” – provavelmente o nome do refrigerante. Com grande entusiasmo abrimos a garrafa e o “Release The Kraken” foi tão estrondoso quanto um avião batendo em um arranha-céu. Memorável. Espumava muito, como se estivesse em erupção – achamos por um momento que estivesse pulverizando o ambiente com agentes biológicos, porém não houve sinais aparentes de contaminação.

O refrigerante tinha forte cor abóbora, parecido com a Sukita e Fanta brasileira, mas bem diferente da Fanta Laranja européia. A Fanta deles tem uma cor amarelo hepatite e um gosto aguado como o Aquarius Fresh (rogamos à Allah para que jamais façam uma versão laranja do produto no Brasil e para que tire do mercado os que já existem). O gosto é bem marcante, lembra muito Tang laranja. O Martin, que já estava em seu terceiro copo de Absolut, ainda acha que o sabor é de mexerica. Porém, ao final do gole, surgia um gosto estranho não identificável. Parecia algo entre o gosto do suor e o gosto da erva-doce. Misterioso. O Gustavo disse que o cheiro e o gosto lembrava um pouco o carpete do apartamento de sua mãe que exala o cheiro e o gosto de seu antigo cachorro basset. Nunca experimentei. Eu e Martin levantamos a hipótese de que a água tem origem em um Oasis onde os camelos se refrescam. Nunca lambemos um camelo suado, mas achamos que por ser um mamífero suas glândulas sebáceas não devem produzir um aroma muito diferente daquele. O Amauri disse que parecia uma erva, mas não foi levado muito a sério. Apesar de o sabor cítrico ser bom, o aftertaste misterioso era um pouco desagradável.  

Achamos um comercial conceitual do produto no Youtube para vocês entenderem a essência dessa bebida árabe: 

ANÁLISE

Sabor: 5,5

Mata a Sede: 5

Popularidade: 7

Embalagem: 6

Preço: 7

Nota Geral: 6

“Para quem tem sede de camelo…”

Xamego Laranja

Nome: Xamego Laranja

Sabor: Laranja

Recipiente: 3l Pet

Fabricante: New Age Bebidas

Local: Leme/SP

Preço Pago: 3,00

Em um sábado quente e seco, nada comum na savana paulista, resolvemos acalmar os ânimos, refrescar os corpos e libertar nossas mentes com um refrigerante. Na verdade, quando resolvemos tomar o Xamego Laranja, estávamos todos esperando destruir os ânimos, acabar com os corpos e entorpecer nossas mentes, com mais um sub-extrato de incompetência à brasileira. Óbvio, como não pensar mal de uma produto que se chama “Xamego”? Xamego, para aqueles incultos sobre o linguajar falado na região brasileira mais próxima à Europa, quer dizer algo como “Carinho”.

A garrafa gigante de 3l de Xamego Laranja nos assustou ao ser trazida por nosso amigo Thiago Luzin, que já tem presentes o suficiente para ser indiciado por tentativa de homicídio. Tanto nos assustou, que repousou em nossa geladeira por tanto tempo quanto um whisky escocês. Mentira, foi algumas semanas, mas demoramos a nos permitir sorver o conteúdo desta garrafa que mais parece um extintor de incêndio circense.

A garrafa de Xamego, apesar de ter um rótulo realmente muito bem feito e bonito, possui inscrições curiosas: “Tome com prazer”, “Feito com Carinho” e “O Refrigerante da Família”. Imagino o que arqueólogos imaginarão quando encontrarem uma garrafa de Xamego soterrada nos escombros do que sobrar da nossa civilização.

O que nós achamos do refrigerante mais nordestino fabricado no estado de São Paulo você pode conferir no vídeo abaixo:

ANÁLISE

Sabor: 8 

Mata a sede: 6

Popularidade: 5 

Embalagem: 7

Preço: 6

Nota geral: 7,5

Se achegue e tome um Xamego, meu rei

Devito Limão

Nome: Devito Limão

Sabor: Limão

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Refrigerantes Devito

Local: Catanduva/SP

Preço Pago: 2,75

Fuel for hatred.

Eu não tenho nenhum problema com refrigerantes cítricos além da minha azia mórbida após tomá-los. Geralmente eles são bons e geralmente fazem a alegria da rapaziada e dão aquele azedo característico que enche nossas vidas de esperança. Com isso bem encalcado na mente do staff do Refrigerando, nos reunimos em uma noite de puro agito, com Max Payne 3 na tela e muita animação no ar para uma degustação generalizada de porcarias, digo, refrigerantes. O Refrigerando gosta muito de resenhar muitas iguarias de uma vez só e ir soltando aos pouquinhos, para que tenhamos conteúdo sempre. Isso é um segredo nosso de estado, mas eu revelo, porque guardar segredinho é coi’dibicha.

Resolvemos abrir o Devito Limão, que foi também foi trazido pelo artista marcial Thiago Luzin, que possui uma jovialidade ímpar, apesar de sua falta de fios capilares. Resenhar um refrigerante de limão é uma senhora bucha para nós, pois não havíamos resenhado exemplar algum. Tudo bem que o Funada Citrus tem um sabor alimãozado, mas está mais para Schweppes do que para refrigerante de limão. Sem mais delongas e sem mais frescuras, nos apressamos em abrí-lo. E o gás não se fez presente. Foi tão sem graça que nenhum de nós disse “Release The Kraken!”. O desapontamento exalara no ar como uma flor cheirosa na primavera. E falando em cheiro, onde está o cheiro dessa porcaria mórbida? Todo mundo enfiou o nariz na garrafa (se eu pegar alguma doença no pulmão, é culpa dessa blog) e ninguém sentiu cheiro algum. Olhos arregalados. Silêncio. Ouve-se uma flatulência de pequeno ruído no ar.

A feiúra da garrafa é notável. Ninguém em sã consciência além de nós, idiotas, compraria esse refrigerante chinfrinho pela embalagem. Não devemos julgar um livro pela capa, mas se ninguém fala desse livro, isso é um problema e devemos julgar, apontar e rir dele como se ele fosse uma criança pré-adolescente gorda e espinhenta (eu fui assim, não me zoem).

Devito Limão

Apesar das zoações e das piadinhas com nosso querido ator Danny DeVito, Devito possui um sabor de suco de limão genuíno, diferente de um monte de porcarias de limão que parecem tão artificiais quanto o busto da Sabrina Boing-Boing. Suco de limão mais água com gás. É refrigerante de festinha de criança, com uma qualidade bem duvidosa. Se eu fosse o pai de uma criança que sofresse bullying, provavelmente compraria uns fardos disso pra festinha do meu filhote e distribuiria pros seus coleguinhas de escola.

Esse líquido, proveniente de Catanduva, é extremamente doce. Provavelmente para sanar o problema de ser agüado. Deu certo, porque terminamos a garrafa. Sentimos a língua áspera e um leve azedo na alma, que passou. Felizmente. Enfim, esse é um refrigerante de limão genérico, pobre, mal-feito, agüado, com o preço na faixa e não merece reconhecimento nenhum. Ser tomável não é mérito. Ser inovador que é, e nesse quesito, Devito Limão falha feio.

ANÁLISE

Sabor: 5

Mata a Sede: 5

Popularidade:  1

Embalagem: 2

Nota Geral: 4

“It’s never sunny on Catanduva.”