Ice Cola

Nome: Ice Cola

Sabor: Cola

Recipiente: 2,00L Pet

Fabricante: Amazon Bebidas

Local: Garça / São Paulo

Preço Pago: R$ 2,00

Resenha: Relutei bastante em escrever esta resenha. Não pelo simples desafio de provar o refrigerante, isso já não assusta mais depois de um tempo, mas relutei pois este será o post mais sem graça do blog até agora. Não estou dizendo isto para justificar um post mal feito ou algo do tipo, mas sim porque este (péssimo) refrigerante é tão sem graça, que não há muito o que dizer dele. Exceto que ele é terrível.

Bom, como sempre, o trajeto deste dejeto da era pós-industrial até as minhas mãos: recebi outra visita do ilustríssimo deputado Frank Aguiar em minha humilde residência, e como ele é um fiel seguidor da regra suprema de Don Vito Corleone, trouxe outro presente a minha residência: Uma Ice Cola. Ironicamente quente. Comprada em algum dos duzentos e trinta e cinco mil botecos de esquina da Abidjan do Noroeste Paulista, São José do Rio Preto.

A Ai-Se-Cola foi resfriada enquanto gravava-mos Alex Alves, mais rir do que atuar, para o próximo vídeo da Stain Productions (Clica ae pliz kkk) e ao retirá-la do freezer o primeiro desafio já foi definido: Abrir a maldita garrafa. O fabricante merece os parabéns no quesito lacramento da garrafa. É quase como se não quisessem que o conteúdo da garrafa entrasse em contato com a atmosfera e revelasse seus segredos profanos. Seria ótimo se a tampa pudesse, efetivamente, fazer isso. Mas infelizmente, após muito esforço, ela cedeu e o mundo voltou a ser um lugar feio e sem vida.

Fuckin' Christmas and Crappy New Year

Ao abrir a garrafa tive a impressão de que o refrigerante estava vencido. O clássico e agradável “Tshhhhhh” foi tão forte quanto a linha defensiva do Palmeiras. Pra você que não sabe nada de futebol, isso é muito, muito fraco. E ao colocar no copo, o que vimos foi um líquido sem vida e negro como a morte. Menos drama, ok.

A aventura do primeiro gole revelou um fraco gosto azedo. Após tentar concentrar minhas ondas cerebrais para as papilas gustativas da minha boca afim de decifrar o segredo químico desta joça, percebi que era isso. Um gostinho azedo. Mais nada. Como assim mais nada? Sério. Absolutamente mais nada. Ice Cola não tem gosto de nada, a não ser um leve gosto azedo e, claro, um leve gosto doce. Agora você entende o que eu disse no começo do post. Como é possível dissecar as entranhas gustativas de algo que parece água, só que pior.

Como bem dito pelo comprador nefasto, Daniel, Ice Cola devia se chamar Aguanegra. Para o leitor imaginar com mais clareza o que é esta Ice Cola,  imagine uma bebida do tipo Aquarius, ou H2Oh!. Agora imagine-a no sabor Cola. Agora tire um pouco do gás. Deve ser pior do que isso, mas é o mais próximo que consigo chegar com este exemplo.

A embalagem  da Ice Cola segue fielmente as diretrizes de “Como parecer a Coca-Cola de longe”. Rótulo vermelho, moderadamente bem desenhado, fontes brancas e até um Papai Noel dando boas festas na parte de trás. O detalhe curioso é que esta bebida foi comprada no dia 21 de janeiro. O que, certamente, diz algo sobre o fluxo de vendas desta grande decepção. Na verdade, decepção é uma palavra forte para descrever a Ice Cola, pois para ser decepcionado, você primeiro tem que ter altas expectativas.

Após dois copos de Aguanegra, todos ficamos com leves náuseas e uma maravilhosa boca-amarrada, que só os refrigerantes de estirpe podem lhe

Apu desaprova Ice Cola

proporcionar. O que, mais uma vez, me leva a pensar: será que a arte de criar um produto decente é tão difícil assim, ou as empresas de menor expressão simplesmente esperam que as pessoas comprem seus produtos por serem mais baratos que os produtos Premium? Não entendo nada de química, nem do business dos refrigerantes para poder responder esta pergunta. E como genialmente argumentado por uma Mineira Revoltada nos comentários da Guaraná Pequetito, se nós somos bons o suficiente para ‘cornetar’ porque não abrimos uma fábrica de refrigerantes? Quem sabe daqui alguns anos, após adquirir o Know-How mais desagradável depois de “Limpeza de Foças”, nós não criamos a Refrigerando Refrigerantes e criamos o melhor refrigerante da Zona Oeste da capital do Cambodja?

Pra encerar, o golpe de misericórdia para a Ice Cola veio algumas horas após o evento aqui narrado: Minha querida avó, veio até mim e disse “Guilherme, joguei aquela Coca fora porque tava estragada.”  Sem mais, meritíssimo.

ANÁLISE

Sabor: 2

Mata a sede: 3

Popularidade: 2

Embalagem: 5

Preço: 6

Nota geral: 3

“Even Ice is better than this Cola

Guaraná Pequetito

Nome: Guaraná Pequetito

Sabor: Guaraná Tubaína

Recipiente: 2,00L Pet

Fabricante: Pequetito Refrigerantes

Local: Monte Santo de Minas, Minas Gerais (não brinca!)

Preço Pago: R$ 2,40

Rótulo Escroto

Olha isso, vó!

Resenha: Estava eu, aterrado em uma ressaca espiritual, após um domingo cansativo e ensolarado. Era segunda-feira. Meu expediente havia começado. 6 da matina. Eu com olheiras do tamanho das do Tio Fester Adams. Urubus circulavam a carniça mórbida de um pobre animal indefeso em decomposição. Tudo parecia perdido, quando entro na minha sala e em seguida, Tiago Cruz me aparece com uma sacola, dizendo: “Tenho uma nova novidade aqui, pra tu.” Olhei para o rótulo e fiquei chocado, incrédulo, estatelado e com medo. Pequetito? Que nome tenebroso. Nada poderia me impedir agora de fazer outro post suicida. Fiquei contemplando a garrafa setentista com um ar de mais profunda curiosidade e finalmente a deixei de lado, desistindo de entender o porquê das letras garrafais e o porquê do rótulo ser tão retrô. Geralmente nos deparamos com rótulos coloridos e bem humorados. Não é o caso aqui. Se não fosse o garotinho extremamente mal desenhado nesse rótulo, eu iria dizer que se tratava de uma bebida alcoólica foleira e não de um refrigerante. Aliás, já vi garrafas de aguardente de cana com rótulos bem mais humorados que esse daqui. Inclusive tem uma no bar daqui de casa que chama “Levanta o Pau“, cujo gargalo é torto pra cima. Mas isso não vem ao caso agora, tô falando de rótulo e não de garrafa, caramba.

Eu, em uma mescla absolutamente sublime de estranheza e curiosidade (abraço pro pessoal da FATEC).

Não se tratava de algo normal. Precisava de um irmão com estômago forte o suficiente e percepção avançada para essatarefa ardilosa. Chamei o Guilherme Drigo no Messenger e contei a mais nova novidade: tínhamos um refrigerante de outro estado para desvendar. E não qualquer refrigerante, um famoso. O Guaraná Pequetito é um dos refrigerantes mais tradicionais do estado de Minas e sobrevive por décadas. Não vou importunar suas pobres mentes com a história dele, mas a saga dessa aberração pode ser vista aqui. Coloquei a garrafa na geladeira e adverti o pessoal daqui de casa para não tomar o refrigerante. Comecei a pressionar o Guilherme para vir aqui, mas este se dedicava a outras tarefas mais importantes, como baixar seus vídeos suspeitos de felação contínua e fazer suas quests gigantescas e chatíssimas de World of Warcraft. Resultado? O refrigerante ficou três dias na geladeira na parte de baixo e bem lá no fundo.

Veado com cara de veado.

"Mas que p%$#@ é essa, mano?"

Com o Guilherme aqui, me apressei em abrir o refrigerante. E como temos nossa beleza ímpar, tiramos fotos junto com a garrafa. A curiosidade estava me tragando vivo. Eis então que ele colocou seu narigão e me olhou com os olhos arregalados: “Velho… muito forte, parece Thinner!” Cheirei e identifiquei com prontidão, o aroma utilizado naqueles chicletinhos vagabundos de 5 centavos, mas com o aroma muito forte mesmo. Fortemente o aroma. Tomamos o primeiro gole e constatamos: é muito forte mesmo! E extremamente doce! Se você pegar Red Bull e colocar duas colheradas de açúcar provavelmente sentirá uma semelhança exorbitante com esse produto mineiro. A força desse refrigerante é tão elevada, que deveriam substituir o moleque mal feito pelo Júnior Cigano. É tão forte que o gosto fica impregnado na boca. Pode ser usado como enxagüante bucal.

Após tomarmos esta maravilha, chegamos à conclusão que os mineiros chapam no Pequetito. Uma modalidade muito boa de degustar essa belezinha é fazer o famoso Molotov Mineiro, segue abaixo a receita:

Cocktallus Minerus Assassinus

"Sinta sua animalidade!"

- 50ml da pior cachaça local ou da pior vodka
- 200ml de Guaraná Pequetito
- Determinação
- LIBERTAS QUE SERA TAMEN

Beba comendo o queijo da sua preferência e aguarde pelos resultados nefastos.

Alguém me explica o que esse garoto tá segurando? É uma miniatura da Tocha Olímpica? E na outra mão? Por que ele tem uma mecha branca no cabelo? POR QUE, DEUS!?

A coloração de whisky confirma que se trata de um produto bem concentrado, porém este refrigerante está bem acima de todas as porcarias que já postamos aqui. Ele não causou ardência na língua, não deixou gosto amargo na boca e nem deixou arrotos presos. Mas isso não faz dele bom. Pequetito está na categoria “guaranás ruins que não fazem mal”. Desde o rótulo até sua concentração, passando pela espuma marrom até o gosto misto de remédio/produto de limpeza/chiclete/Red Bull, tudo é muito estranho. Não desagrada o paladar nem causa ânsia de vômito, mas a estranheza do sabor é notável. Eu diria que foi o refrigerante mais excêntrico que experimentamos até agora. Digo “até agora” porque tenho certeza que as coisas vão ficar piores. Muito piores.

ANÁLISE

Sabor: 4 (estranho e doce ao extremo)

Mata a sede: 5 (mesmo gelado é enjoativo)

Popularidade: 6 (conhecido só em Minas, uai sô!)

Embalagem: 3 (que tipo de bruxaria é esta?)

Preço: 5 (2,40!)

Nota geral: 5

“Mas que trêm estranho é esse, sô.”

Big Cola

Nome: Big Cola

Sabor: Cola

Recipiente: 1,75 Pet

Fabricante: Aje 

Local: Queimados, Rio de Janeiro

Preço Pago:  R$ 1,50 

Resenha: Em uma visita à um übermercado de origem ianque, para comprar os suprimentos do réveillon, decidi prospectar o estabelecimento para traços de vida estranha no setor de bebidas não-alcoólicas. Apesar de saber que um übermercado deste porte não fosse ter uma vasta seleção de lixo gaseificado, fui teimoso. Acabei esbarrando em uma pilha enorme do representante Rio-Pretense do segmento de cola: a Zip Cola.

"Més que una basura"

Coloquei-a no carrinho sem pestanejar pois sabia que esta renderia um bom post. Eis que no caminho para o caixa me deparo com uma gôndola repleta de garrafas com formato estranho. Me aproximei e vejo que estas garrafas continham nosso alvo de hoje: a Big Cola.

Fiquei balançado. O que eu levaria? Um refrigerante que eu já sabia que é uma enorme bola de desgosto ou um refrigerante que tem potencial para atingir novos níveis de horror? Acabei escolhendo o potencial sobre a certeza, afinal a descoberta sempre é uma aventura. Não é mesmo, Frisbby Cola? O fato que me vendeu a Big Cola foi muito inusitado. No rótulo dela aparece uma foto do Barcelona FC. Sim! Um refrigerante do Barcelona. Deve ser o melhor do mundo, óbvio. Devolvi imediatamente a Zip Cola com uma dolorosa sensação de “Até logo.”

Trouxe para minha humilde residência a Big Cola imaginando que o Barcelona na embalagem deveria ser fruto de algum empresário audacioso  e ignorante das entranhas deste Brasil varonil.

Foi aí que me enganei redondamente, amigo. Com uma simples busca sobre a Big Cola no Deus do Mundo Moderno, descobri que a gloriosa Big Cola é de origem espanhola, está presente em 20 países e está chegando agora ao Brasil. Intenso. Ainda mais intenso, é o que se encontra no site espanhol da Big Cola. Uma foto do David Villa ao lado dos dizeres “Piensa en Grande”. Céus. Não basta o fato de ser o slogan mais dúbio já criado na península ibérica, é uma mentira. A Big Cola vendida nestas terras de Cabral tem 1,75l. Ou seja, o nome mais apropriado para este refrigerante seria “Not So Big Cola”. O mais intrigante é o que passou pela cabeça dos responsáveis pelo marketing da Aje:

Big Cola - Pensa no Grande

“Vamos lançar um produto em um mercado já saturado e dominado, onde não há muito espaço nem tolerância para mudanças drásticas, o que vamos fazer para inovar?”
“Vamos fazer a garrafa com 1,75l.”
“Porque?”
“Ah, sei lá pô. Pra fica diferente.”
“Mas o nome é Big Cola. Vai ser menor que os concorrentes?”
“Pô, você não leu a pesquisa de mercado? É o Brasil. Ninguém vai saber o que é Big. Nem Cola. Nem Litro.”
“Certo. Mas falta algo a mais.”
“Vamos por a foto do Barcelona na embalagem”
“O que o Barcelona tem haver com refrigerante?”
“E o que brasileiro sabe além de futebol?”
“Touché, meu amigo. Touché”

Sem mais delongas, vamos ao que interessa. Ao colocar no copo a Big Cola, pode-se perceber que a consistência, cor e gaseificação dela é muito semelhante à da Pepsi Cola, mais conhecido com o  Vasco da Gama dos refrigerantes de Cola. Ta aí uma idéia pro Marketing da Pepsi. Uma foto do Diego Souza na embalagem e o Slogan: “Pensa no Vice”. Tá, parei.

Pra dizer a verdade, eu não esperava que a Big Cola fosse tão ruim quanto tudo que já provei neste blog e a primeira impressão confirmou isto. Ela tem um gosto não muito doce, e um pouco cítrico, o que lembra o sabor de limão. Que por sua vez lembra a Pepsi Twist. No segundo gole tive a certeza, Big Cola tem gosto de Pepsi Twist. Muito semelhante mesmo. Apesar de que, se você tentar mesmo dissecar o sabor dela na sua boca, vai poder sentir um “quê” de Aspirina Bayer em sua composição, não é nada que desagrade tanto o paladar. Devo também acrescentar que a Big Cola não desce mal como alguns outros exemplares de refrigerantes, e quanto ao engrossamento da saliva, está posicionada em um nível decente, bem próximo aos líderes do mercado Coca-Cola e Pepsi Cola.

Como se tratava de um refrigerante de cola, conjurei novamente o intrépido Alex Alves para experimentar esta delícia ibérica. Perguntei se ele tinha algo a acrescentar acerca do sabor e peculiaridades deste produto. Ele não tinha nada a acrescentar. Venho através deste agradecê-lo por não ter ajudado em nada e tomado meu refrigerante.

Piensa en Grande

A verdade é que a Big Cola não é um refrigerante ruim. Pelo contrário, eu gostei dela. Aqui provavelmente é onde vocês todos pararão de ler, pois ninguém quer ler elogios na internet, todo mundo quer ver o circo pegar fogo e o idiota beber porcarias. Mas isto, cedo ou tarde, iria acontecer. Nem todo refrigerante estranho na prateleira do Mercadinho da Dona Cida é ruim. Tá bom que este existe por todo o globo e foi comprado no Mercadão da Tia Wal, mas o princípio é o mesmo.

Também não seria  correto afirmar que Big Cola é um excelente refrigerante, perfeito, ai gente que tudooo! Não é por aí. Aproveitando a Metáfora com clubes de futebol, sendo o Barcelona o melhor time do mundo, a Big Cola seria muito bem representada se tivesse na embalagem o Botafogo. E a Frisbby Cola seria o Palmeiras. Tá, agora chega, é sério.

Resumindo, Big Cola é uma surpresa grata. Bem melhor do que se espera, mas ainda bem fraca em comparação com a Almighty Coca.  Mas se considerar que ela custa míseros R$ 1,50, a Big Cola se torna o melhor refrigerante do mundo, na sua faixa de preço. Se você não sabe onde comprar nem ouviu falar dela, agradeça a Aje pela publicidade falha para o lançamento do produto. Muito, muito fraco para uma empresa que pretende ser a maior do mundo (é sério, tá no site).

ANÁLISE

Sabor: 7

Mata a sede: 6

Popularidade: 2

Embalagem: 6

Preço: 10

Nota geral: 7

“Melhor que a goleada do Barcelona no Santos. Tá, nem tanto”