Guaraná Saboraki

Nome: Guaraná Saboraki

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Venturini e Florêncio Bebidas

Local: Cassilândia, Mato Grosso do Sul

Preço Pago:  R$ 2,50 

Resenha: Após recrutar o famigerado Rhenan ‘Berna’ Ventura para a inglória tarefa de dividir comigo os desprazeres do underground refrigerantístico, partimos para a aquisição do segundo espécime a ser estudado. Em nossa caminhada pela Cidade Amiga (pff) paramos em alguns estabelecimentos como Supermercados e Bares, somente para constatar que a incidência de refrigerantes esdrúxulos é um fenômeno sócio-geográfico. Como assim, você se pergunta, e eu explico: Partindo do centro da cidade em direção à periferia, a nível de qualidade dos refrigerantes vendidos pelos estabelecimentos cai proporcionalmente à sua distância do centro da cidade. Nos mercados e bares do centro você encontrará basicamente produtos da Coca-Cola, e um ou outro produto regional de  qualidade, no caso, o Guaraná Cotuba e com sorte o Guaraná Poty. No meio do caminho entre Centro e periferia, começa a pipocar nas geladeiras coisas como Roller Cola, Zip Cola e o nosso foco de hoje, o Guaraná Saboraki. Já na periferia da cidade, temos as grandes pérolas da sociedade capitalista pós-moderna, que não vou citar no momento para não estragar futuras surpresas.

Ao chegarmos ao Serv-Festas Nsa. Senhora Aparecida, e abordar ao atendente que se divertia com as inéditas aventuras de Chaves na TV e relutou um tanto para atender-nos, pedi pelo refrigerante mais barato da casa. Ele me trouxe o Guaraná Saboraki, que custou R$ 2,50. Pelo preço, e por saber que o local é um famoso ‘enfia-faca’ já nos preparamos para o pior.

O rótulo do Guaraná Saboraki passa um pouco mais de confiança do que o da Frisbby Cola. Mais colorido, e um pouco mais bem desenhado, apesar de ainda muito longe do ideal, que seria um caveira com ossos cruzados no rótulo.

Ao colocar o líquido no copo, ele aparenta ser inofensivo, um refrigerante com uma saudável cor de caramelo, com uma quantidade pequena mas decente de espuma, que dissipa-se com extrema rapidez. Após minha prévia experiência, fiquei um pouco apreensivo ante o primeiro gole. Mas para minha surpresa, o resultado não foi tão ruim. O refrigerante tinha pouco ou nenhum gosto de guaraná, mas era razoavelmente agradável. Claro, que a essa altura eu comecei a desconfiar que o primeiro gole destas bebidas ingratas sempre é o mais inofensivo, como um pequeno jab que antecede o direto de direita. Após alguns goles de Saboraki, eu e Berna entramos no consenso de que, apesar de ser doce, o refrigerante tem um fundo amargo em sua fórmula. No começo este parece um pequeno detalhe insignificante, mas conforme você toma, este gosto amargo começa a predominar no sabor do refrigerante, o que é no mínimo irritante.

Rhenan e Guilherme experienciando a Síndrome do Arroto Preso

O Guaraná Saboraki tem algo de especial no seu conteúdo, algo que o deixa forte. Algo que o faz descer com a mesma suavidade de um Conhaque Presidente. Ok, não chega a tanto, mas o Saboraki desce raspando a garganta, e lhe agracia com uma camada espessa de saliva e uma ardência estranha na língua.

Apesar dos pesares, tudo parecia ter sido melhor do que o esperado, estávamos felizes e aliviados, até o aparecimento do evento mais marcante do Guaraná Saboraki, que eu e Rhenan tomamos a liberdade de nomear “Síndrome do Arroto Preso“. Algo muito errado aconteceu no evento de engenharia do produto, ou na sua fabricação, algo que desafia os mais modernos e arrojados conceitos de química. Após ingerir o Guaraná Saboraki você experimenta uma quantidade razoável de gás preso nas suas entranhas, que geralmente sai na forma de um singelo arrotinho, mas não neste caso, meu caro. Experienciamos um tipo de arroto molhado. O gás sai parcialmente no arroto, e algo ‘esgastalha’ sua garganta e não o permite livrar-se  do gás. Este guaraná foi desenvolvido à pedido do exército americano, para distrair as hordas rebeldes de algum país rico em petróleo, para que um ataque surpresa pudesse ser lançado.

Como bem salientado pelo Rhenan, o Guaraná Saboraki tem um distinto cheio de fábrica de doce. Se você nunca sentiu o cheiro de uma fábrica de doce, não poderá saber do que estou falando. E, por falar nisso, eu não estou nem aí com este fato.

Ao contrário da grande maioria dos refrigerantes  fabricados neste começo de século XXI, o Guaraná Saboraki não apresenta um sabor ácido. Muito pelo contrário, até o presente momento, este é o único espécime de Refrigerante Básico que já provei. E como qualquer base que se prese, ele amarra a boca, em um período breve após o consumo. Nada melhor do que um gostinho amargo e amarrado na boca após deliciar-se com uma iguaria pantaneira. Para finalizar nossa análise sobre as peculiaridades deste produto esquecido-por-Deus, vale ressaltar que após repousar em seu copo por alguns instantes apenas, o gás todo se esvai e o que sobra é uma bebida com gosto de água-tomada-em-um-copo-sujo-de-guaraná. Porque hífens? Quem se importa?!

Em suma, o Guaraná Saboraki parece inofensivo à primeira aparência e ao primeiro gole, mas não se engane Bino, pois isto é uma cilada. Ele reserva várias armadilhas e artimanhas para fazer você se sentir miserável e arrependido de ter feito a bobagem de tomá-lo em primeiro lugar.

ANÁLISE

Sabor: 4

Mata a Sede: 3

Popularidade: 4

Embalagem: 6

Preço: 5

Nota Geral: 4

“É uma Cilada, Bino!”

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10 comments on “Guaraná Saboraki

  1. Neto diz:

    Mais uma bela análise que me fará ficar longe do refrigerante de Cassilândia. Na verdade fiquei curioso com o “amarrar a boca”… hm.

  2. Alan diz:

    Parabéns por mais uma análise feita pelos mais experientes degustadores dos refrigerantes do submundo, parabéns!

    Tenho que ressaltar que o ponto que mais me chamou a atenção deste refrigerante, é que ele foi comparado ao nosso querido e idolatrado conhacão Presidente. Isso quer dizer, que seguindo está ideia, dou a dica a vocês:

    Corte um limão em quatro pedaços;
    Pede 1/4 dele, e esprema em sua dose de Saboraki;
    Com a ponta do dedo que tiver mais unha, raspe todos os bagaços e pedacinhos de limão que tiver no copo;
    Vire no 3;

    Assim, imagino que ficará ótimo a degustação deste refrigerante..dica.

  3. Daniel Deutscher diz:

    Muito bom! Adorei o site, já está marcado nos favoritos desde aprimeira postagem. Parabéns, no aguardo da próxima!!!

  4. Excelente review,bastante detalhado e esclarecedor,aconselho ao criador do review fazer uma análise do refrigerante “Picolino Plus”,q para mim foi um dos mais impressionantes casos de bebidas underground q já pude experimentar.

  5. Tomio diz:

    Excelente resenha. Infelizmente minha vida não foi abençoada (não o suficiente) para visitar uma fábrica de doces, e, consequentemente, saber do que vocês estavam falando. Mas imagino a, literalmente, amarga experiência. Parabéns, e obrigado guerreiros gasosos do submundo, por sacrificarem suas línguas, dinheiro, tempo e honra gastronômica para nos informar sobre os perigos do mercado negro dos refrigerantes.

  6. zeitgheist diz:

    hahahahahaahhaha trarei o Guaraná estrela, vendido apenas nos arredores de Jales e região.. abraço xD

  7. [...] havia dito na resenha da Guaraná Saboraki que era o único exemplar que eu já havia provado  que possuía um sabor básico que [...]

  8. [...] da mesma opinião e acrescentou com sua cara de nojo peculiar, além de dizer que ficou com a Síndrome do Arroto Preso. Rafael Gianjope ficou soltando flatulências e vendo a besta que ele tinha invocado, o lixo [...]

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