Guaraná Pic Nic

Nome: Guaraná Pic Nic

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Ferrari Bebidas

Local: Potirendaba, São Paulo

Preço Pago:  R$ 2,30 

Resenha: Em um ensolarado e belo sábado, com uma agradável temperatura de forno industrial, estava eu recolhido em meus aposentos navegando em ondas infinitas de zeros e uns, quando a campainha toca. Fui atender a porta, e para a minha surpresa era o deputado e cantor Frank Aguiar. Não de verdade, mas quase. Daniel Fiocco estava tostando no sol escaldante com uma sacola em mãos. Ao cumprimentá-lo, ele me ofereceu o conteúdo da sacola como presente. “Que bacana” pensei por um instante, até observar seu sorrisinho jocoso. Claro, como não desconfiei antes? O conteúdo da sacola era um Guaraná Pic Nic. Desta vez, pelo menos, eu não precisaria convocar alguma alma corajosa para enfrentar o nemesis comigo. Ele já havia comprado sua passagem para o inferno.

Após a (ingrata) surpresa, preparei-me para degustar mais um produto potirendabense. Inclusive, de acordo com as minhas pesquisas em fontes confiáveis, constatei um fato curioso sobre este município. Aparentemente, a etimologia do nome da cidade vem da língua dos nativos tupi-guarani na região e  da junção das palavras Potir (terra) Endaba (líquido satânico).

Clique para ver mais fotos de Guaraná Pic Nic na praia do Leblon

Ao abrir a garrafa, o Guaraná Pic Nic exala um aroma forte, mas bem agradável de tuti-frutti. O cheiro, porém chega a ser forte até demais, até o ponto em que parece que você está cheirando um sapato Melissa. Sabe, aquele com cheiro de chiclete? Pois é.

Apesar de saber que se trata da Ferrari Bebidas, que me traumatizou semanas atrás, com uma bomba gástrica chamada Frisbby Cola, eu tinha esperanças relativamente altas, pois este Guaraná Pic Nic já foi bastante popular na região dos entornos de Rio Preto, e era um refrigerante bem decente. O tempo verbal procede.

Ao colocar o guaraná no copo, deparei-me com um refrigerante com uma cor de caramelo apresentável, uma quantidade grande de espuma, e uma gaseificação muito aceitável. Tudo parecia bom. Após o primeiro gole, constatei um gosto agradável de tuti-frutti, ainda que bastante aguado. Talvez, justamente pelo fato de ser aguado como um Tang mal-preparado Pic Nic consegue uma suavidade admirável. Não gruda na boca e desce agradavelmente.

Eu havia dito na resenha da Guaraná Saboraki que era o único exemplar que eu já havia provado  que possuía um sabor básico que ‘amarra’ a boca. Mais uma vez, o Deus das Guaranás Lamentáveis, fez eu pagar minha língua cedo. Caso você chegue ao segundo copo de Guaraná Pic Nic sem sentir que está tomando água em um copo sujo, pode-se sentir a boca amarrar um pouco. Nada exagerado, como o Saboraki, mas está lá. A reação do glorioso Frank Aguiar ao tomar o segundo copo de Pic Nic foi “Querosene é melhor do que isso”, claro que é um exagero, pois em toda sua inocência, Frank ainda não experienciou o tipo de maldade em forma de produto que a cidade de Potirendaba é capaz de propiciar.

Após o segundo copo, inclusive, o suposto gosto de Tutti-frutti do Guaraná Pic Nic desaparece. Deixando um gostinho delicioso de Água com Glade Aroma-dos-Campos no copo, devido ao seu cheiro forte e gosto fraco. Por falar nisso, o que diabos é “Tuti-Frutti”? Nunca havia parado para me perguntar o que quer dizer esta palavra. Uma rápida busca na internet, em um confiável site chamado “Yahoo Respostas” me disse que quer

Frank sendo corroído pelo arrependimento

Tutti-Frutti é uma palavra de origem inglesa (falso) que quer dizer “Mistura de Frutas” (falso também). Obviamente, neste exato momento você está, assim como eu, tentando lembrar qual o gosto de Tutti-frutti que já provou e está pensando que deveria significar “Nenhuma fruta”. Na minha humilde opinião, Tutti-Frutti é apenas um nome coringa, utilizado como convenção por químicos do mundo todo, para nomear os acidentes que acontecem no laboratório quando tentam criar qualquer sabor. Por exemplo, no caso do Guaraná Pic Nic, provavelmente o químico ou jornalista responsável pela produção estava tentando recriar o sabor de Guaraná e acabou criando um sabor mais próximo ao Bom-Ar de Jasmim. Que nome dar a esta porcaria? Tutti-Frutti, claro.

Devaneios a parte, o pós-consumo do Guaraná Pic Nic é bem desagradável. A sensação de peso no estômago, comum nos produtos da marca,  e aquela singela bola de pigarro presa na garganta são apenas bônus, para a pesada sensação de arrependimento, de alguém que voluntariamente se sujeitou a fazer um “Pique-Nique no Inferno”.

A garrafa de Pic Nic é um tanto quanto feia, com logotipagem e rotulagem mal feitos e a aparência do produto é de um guaraná vagabundo. Ponto para o marketing da Ferrari, por representar bem a qualidade do produto neste quesito.

Fica aqui também registrado o fato ocorrido. Agradeço e espero o envio de refrigerantes para degustação e resenha no Refrigerando, mas que fique claro, que eu não cairei sozinho, sempre levarei o presenteador para uma volta na Cracolândia Gástrica comigo.

ANÁLISE

Sabor: 3

Mata a sede: 5

Popularidade: 5

Embalagem: 3

Preço: 4

Nota geral: 4,5

“Tutti Fuckin’ Frutti”

Guaraná Itubaína

Nome: Itubaína

Sabor: Guaraná com Aroma de Tutti Frutti

Recipiente: 2L Pet

Fabricante: Schincariol

Local: Itu/SP

Preço pago: R$ 2,40

O rótulo dá a impressão que estamos diante de um guaraná decente. Ledo engano.

Durante a missão suicida de conseguir um WiiMote em plena sexta-feira antes do Natal, eu e meus alegres companheiros (Guilherme, Diego e Nathanael) avistamos uma garrafa com rótulo bonito, nomeada Itubaína, uma imitação barata da Tubaína, que é um refrigerante de guaraná com um certo aroma de tutti-frutti. Notamos também a presença da palavra “tradicional” e da fabricante: Schincariol, da cidade de Itu. Nos entreolhamos e chegamos todos a conclusão que não se tratava de uma aberração tão grande, apenas de um refrigerante desconhecido. Mas como sempre a vida sempre insiste em nos pregar peças e nos surpreender, positivamente ou negativamente pois Deus sabe o que é melhor para nós, percebemos que o dinheiro gasto (2,40) não valeu.  Após esse corre magnífico pelo calor infernal de São José do Rio Preto, uma barrinha de Kit-Kat derretido, fomos cada um para suas casas para tomar banho e a galera se apressou a chegar em casa, para um campeonato mais que supimpa de Mortal-Kombat, Street Fighter II e Windjammers (chupem, seus losers, fui campeão duas vezes).

A efervecência linda de um anti-ácido de abacaxi.

Quando abri a garrafa, notei que a espuma era completamente dentro dos padrões de um guaraná bom. A coloração escura dá credibilidade ao refrigerante. Antes de beber dessa iguaria interiorana, coloquei meu nariz dentro do copo e notei uma coisa: a Itubaína, quando recém colocada, lembra muito um anti-ácido de abacaxi, mas com o efeito reverso: me causou um mal-estar seguido de queimação de estômago. Me pergunto até quando vou agüentar esse experimento masoquista de ficar experimentando todas essas aberrações gaseificadas.

Itubaína é um refrigerante doce ao seu extremo e mascara o seu sabor insosso que, segundo o rótulo, é um ‘refrigerante de guaraná com aroma de tutti-frutti’. Porém, nada de tutti-frutti. Apenas um gosto de abacaxi agüado, uma ardência estranha na língua, a boca amarrada e a velha sensação de ter sido enganado.

Vamos usar a matemática: estávamos em 7 pessoas, todos beberam o refrigerante e mesmo assim ainda sobrou um quarto da garrafa e fora o que ficou no copo de cada um! Todos ficaram enjoados, todos sentiram azia, todos chegaram a conclusão que apesar de parecer bom, Itubaína é um refrigerante terrível, que não vale o seu preço e nem sua degustação.

ANÁLISE

Sabor: 3

Mata a sede: 4

Popularidade: 3

Embalagem: 7

Preço: 2

Nota geral: 5

“The Pineapple Incident”

BÔNUS:

6 eh 1 bosta! Campeão Windjammers 2011! Que jeito!? Essa é só pro pessoal de trad.

Guaraná Poty (Quente)

Nome: Guaraná Poty

Sabor: Guaraná

Recipiente: 600ml Pet

Fabricante: Bebidas Poty 

Local: Potirendaba – SP

Preço pago: R$ 1,75

Post realizado por Neto Bonome, do blog gamemaníaco Jogador Pensante.

Resenha: Depois de muito relutar em fazer um post para o Refrigerando (e de muita insistência [encheção de saco] do Guilherme), resolvi hoje após o serviço ir à caça de algum refrigerante. Minha caça não foi longa e nem tardou a chegar, pois logo minha avó me mandou buscar pão na padaria mais próxima, a Nossa Senhora Aparecida (é o nome da padaria, e não da minha avó).

Esperava encontrar um Guaraná Jabuti, mas acho que da outra vez que compareci ao estabelecimento supracitado eu vi somente o T do rótulo e deduzi ser o saudoso Jabuti. Na verdade era o Guaraná Poty, que dizem as más línguas ser bom. Nunca havia provado, ou alguém já havia me servido ele e não me dito, pois, veja bem, é meio vergonhoso na sociedade hipócrita atual dizer para sua visita “Olhe só, lhe trouxe um Guaraná Poty”. O cinismo da população pequeno-burguesa de hoje somente permite que se diga “Ah, é Guaraná Antárctica Diet”, isso quando não usam a tosquíssima alcuinha ZERO.

Aliás, devo dizer a minha opinião sobre isso de light, diet e zero. Tomar refrigerante não é saudável e você deveria saber disso. Entenda: tomar refrigerante é uma arte, não é somente para se refrescar. Então se você quer realmente ser saudável, sem barriga, um verdadeiro atleta, não é tomando um refrigerante que surpreendentemente possui ZERO CALORIAS (Ui, ele não tem calorias!) que isso vai te ajudar. Ou pior é quando se vê aquela pessoa que pede um X-Tudo “caprichado no bacon” e insiste em pedir, acompanhando, uma Coca-Cola Zero, mostrando a todos como ela é saudável enquanto sua boca está toda lambuzada pelo excesso de maionese no seu lanche e pela gordura do bacon. Meus parabéns, de verdade, por conseguir enganar a si próprio, enquanto provavelmente os garçons do estabelecimento riem de você.

Divagações e revoltas à parte, comprei o guaraná, em uma embalagem Pet de 600ml, por razões de conforto, visto que é mais confortável somente abrir o guaraná e tomar no bico (é possível fazer isso com um de 2l, mas provavelmente seus parentes vão te olhar muito feio e até mesmo vão te chamar de Chupeta de Baleia… é uma possibilidade). É perceptível que não houve muita criatividade na hora dese fazer o rótulo deste produto, além do que é a primeira vez que vejo um refrigerante de garrafa Pet cujo rótulo é de PAPEL. Geralmente nos deparamos com plástico, mas esse é de papel e é facilmente rasgado por suas unhas. Outro fato marcante é a tentativa de se criar uma espécie de smiley utilizando a folha e o fruto do guaraná. Funcionaria no MSN, talvez. Mas aqui é só… vergonhoso.

Enfim, com a impressão de que o guaraná estava gelado o suficiente, o abri (não sem antes deixá-lo cair no chão, o que poderia gerar uma erupção a nível vulcânica na hora de abrir) e então muito gás saiu, o que não foi uma boa impressão. Foi aí que percebi que fui enganado pela embalagem, que se mostrou gelada ao toque, porém na verdade estava quente. Esse guaraná já não me soava muito bem antes de abri-lo, pelo rótulo principalmente, mas agora quando o momento de epifania finalmente me atingiu eu gostei menos ainda. Não que eu tenha algum problema com guaranás de pequenas empresas, mas esse rótulo de papel não me convenceu.

Como foi posto lá em cima, beber refrigerante é uma arte, então algumas considerações devem ser feitas na abertura de uma garrafa da bebida gaseificada. Vou melhorar, vou fazer uma consideração só: cheirar o refrigerante. Por que só se cheira os vinhos? Que que esse negócio feito de uva (e todos sabemos que Fanta Uva não é nada bom, só para fazer uma ponte entre o mundo dos

Uma arte.

refrigerantes e o mundo chique e cheiroso dos vinhos) deve ser cheirado e um refrigerante não? Não se engane, leitor: o cheiro faz parte da degustação. Todo mundo se sente atraído por um belo bife sendo frito (a não ser os vegetarianos, ou alguém sem nariz), portanto sabe-se do poder de um aroma refinado. Portanto, aqui vai o apelo: deixe de lado esse preconceito e passe a cheirar o líquido gaseificado que está dentro da garrafa.

O primeiro gole foi terrível. O problema de se beber um guaraná quente são os dois, três primeiros goles. Depois é possível tomá-lo sem maiores contratempos (ou que suas papilas gustativas finalmente façam greve e armem um panelaço dentro da sua boca). O refrigerante é bem gaseificado e ácido, deixou minha língua dormente até. E era doce. Extremamente doce. Eu não sou de tomar muitos guaranás, eu prefiro os refrigerantes de laranja ou os de cola, mas esse era muito doce, ainda mais quente, o que realçava o gosto de algodão-doce da coisa. Se eu quisesse algo tão doce assim, compraria uma garapa na Kombi ano 83 modelo 84 do Zé aqui perto de casa.

Era como se eu estivesse tomando um guaraná diet, e quente. E o calor de Ribeirão Preto não ajuda também no caso. Eu queria tomar para me refrescar e acabei sendo trollado e fiquei foi com mais calor ainda. E o gosto de doce no fundo da garganta não é muito bom, fica aquele gosto meio amargo, meio doce… é a mesma coisa dos diet, zero e afins (e vocês já sabem do meu desprezo para essa categoria de refrigerante,  se é que isso pode ter o orgulho de ser chamado de refrigerante)…

Bom, depois de tomar no bico, como um bezerro que mama direto nas tetas de sua mãe (que por sinal é uma vaca), o Guaraná Poty quente, veio o castigo: uma azia impiedosa. Não sei se tem a ver com o meu refluxo, que faz a minha azia ser na base da garganta, e não uma queimação no estômago em si, mas começou a queimar, como se meu pescoço estivesse em brasa… todo o gás quente do refrigerante foi convertido em um verdadeiro incêndio. Mas logo passou, como todas as minhas azias: são intermitentes.

Finalizando, minha experiência com o Guaraná Poty não foi positiva. E se um guaraná não se mostrou bom QUENTE, a culpa não é minha. A culpa é, primeiramente, do calor, segundamente, da padaria e, terceiramente, do próprio refrigerante. E nem ligo se você aí que tá lendo acha que eu deveria ter deixado gelando mais ou fazer uma análise mais minuciosa, ou, ainda, nem sequer fazer a resenha.

O Guaraná Poty é extremamente doce, como um belo pedaço de cana-de-açúcar. Mas o segredo dele é travestir o intenso gosto de açúcar com uma boa gaseificação, que chega a níveis exorbitantes quando quente.

Esse refrigerante eu defino como uma das grandes enganações da minha vida, pois:

Primeiro: disseram-me que era bom;

Segundo: pensei que era o Guaraná Jabuti (que se bobear nem fabricam mais);

Terceiro: pensei que estava gelado, e não estava.

Espero que você, leitor, não se engane e leve uma Maçã Dom (que é o que eu deveria ter feito).

ANÁLISE

Sabor: 4

Mata a sede: 1

Popularidade: 6

Embalagem: 4

Preço: 3

Nota geral: 4

“Prepara o sal de fruta.”

Guaraná Saboraki

Nome: Guaraná Saboraki

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Venturini e Florêncio Bebidas

Local: Cassilândia, Mato Grosso do Sul

Preço Pago:  R$ 2,50 

Resenha: Após recrutar o famigerado Rhenan ‘Berna’ Ventura para a inglória tarefa de dividir comigo os desprazeres do underground refrigerantístico, partimos para a aquisição do segundo espécime a ser estudado. Em nossa caminhada pela Cidade Amiga (pff) paramos em alguns estabelecimentos como Supermercados e Bares, somente para constatar que a incidência de refrigerantes esdrúxulos é um fenômeno sócio-geográfico. Como assim, você se pergunta, e eu explico: Partindo do centro da cidade em direção à periferia, a nível de qualidade dos refrigerantes vendidos pelos estabelecimentos cai proporcionalmente à sua distância do centro da cidade. Nos mercados e bares do centro você encontrará basicamente produtos da Coca-Cola, e um ou outro produto regional de  qualidade, no caso, o Guaraná Cotuba e com sorte o Guaraná Poty. No meio do caminho entre Centro e periferia, começa a pipocar nas geladeiras coisas como Roller Cola, Zip Cola e o nosso foco de hoje, o Guaraná Saboraki. Já na periferia da cidade, temos as grandes pérolas da sociedade capitalista pós-moderna, que não vou citar no momento para não estragar futuras surpresas.

Ao chegarmos ao Serv-Festas Nsa. Senhora Aparecida, e abordar ao atendente que se divertia com as inéditas aventuras de Chaves na TV e relutou um tanto para atender-nos, pedi pelo refrigerante mais barato da casa. Ele me trouxe o Guaraná Saboraki, que custou R$ 2,50. Pelo preço, e por saber que o local é um famoso ‘enfia-faca’ já nos preparamos para o pior.

O rótulo do Guaraná Saboraki passa um pouco mais de confiança do que o da Frisbby Cola. Mais colorido, e um pouco mais bem desenhado, apesar de ainda muito longe do ideal, que seria um caveira com ossos cruzados no rótulo.

Ao colocar o líquido no copo, ele aparenta ser inofensivo, um refrigerante com uma saudável cor de caramelo, com uma quantidade pequena mas decente de espuma, que dissipa-se com extrema rapidez. Após minha prévia experiência, fiquei um pouco apreensivo ante o primeiro gole. Mas para minha surpresa, o resultado não foi tão ruim. O refrigerante tinha pouco ou nenhum gosto de guaraná, mas era razoavelmente agradável. Claro, que a essa altura eu comecei a desconfiar que o primeiro gole destas bebidas ingratas sempre é o mais inofensivo, como um pequeno jab que antecede o direto de direita. Após alguns goles de Saboraki, eu e Berna entramos no consenso de que, apesar de ser doce, o refrigerante tem um fundo amargo em sua fórmula. No começo este parece um pequeno detalhe insignificante, mas conforme você toma, este gosto amargo começa a predominar no sabor do refrigerante, o que é no mínimo irritante.

Rhenan e Guilherme experienciando a Síndrome do Arroto Preso

O Guaraná Saboraki tem algo de especial no seu conteúdo, algo que o deixa forte. Algo que o faz descer com a mesma suavidade de um Conhaque Presidente. Ok, não chega a tanto, mas o Saboraki desce raspando a garganta, e lhe agracia com uma camada espessa de saliva e uma ardência estranha na língua.

Apesar dos pesares, tudo parecia ter sido melhor do que o esperado, estávamos felizes e aliviados, até o aparecimento do evento mais marcante do Guaraná Saboraki, que eu e Rhenan tomamos a liberdade de nomear “Síndrome do Arroto Preso“. Algo muito errado aconteceu no evento de engenharia do produto, ou na sua fabricação, algo que desafia os mais modernos e arrojados conceitos de química. Após ingerir o Guaraná Saboraki você experimenta uma quantidade razoável de gás preso nas suas entranhas, que geralmente sai na forma de um singelo arrotinho, mas não neste caso, meu caro. Experienciamos um tipo de arroto molhado. O gás sai parcialmente no arroto, e algo ‘esgastalha’ sua garganta e não o permite livrar-se  do gás. Este guaraná foi desenvolvido à pedido do exército americano, para distrair as hordas rebeldes de algum país rico em petróleo, para que um ataque surpresa pudesse ser lançado.

Como bem salientado pelo Rhenan, o Guaraná Saboraki tem um distinto cheio de fábrica de doce. Se você nunca sentiu o cheiro de uma fábrica de doce, não poderá saber do que estou falando. E, por falar nisso, eu não estou nem aí com este fato.

Ao contrário da grande maioria dos refrigerantes  fabricados neste começo de século XXI, o Guaraná Saboraki não apresenta um sabor ácido. Muito pelo contrário, até o presente momento, este é o único espécime de Refrigerante Básico que já provei. E como qualquer base que se prese, ele amarra a boca, em um período breve após o consumo. Nada melhor do que um gostinho amargo e amarrado na boca após deliciar-se com uma iguaria pantaneira. Para finalizar nossa análise sobre as peculiaridades deste produto esquecido-por-Deus, vale ressaltar que após repousar em seu copo por alguns instantes apenas, o gás todo se esvai e o que sobra é uma bebida com gosto de água-tomada-em-um-copo-sujo-de-guaraná. Porque hífens? Quem se importa?!

Em suma, o Guaraná Saboraki parece inofensivo à primeira aparência e ao primeiro gole, mas não se engane Bino, pois isto é uma cilada. Ele reserva várias armadilhas e artimanhas para fazer você se sentir miserável e arrependido de ter feito a bobagem de tomá-lo em primeiro lugar.

ANÁLISE

Sabor: 4

Mata a Sede: 3

Popularidade: 4

Embalagem: 6

Preço: 5

Nota Geral: 4

“É uma Cilada, Bino!”

Frisbby Cola

Sede Pede

 

Nome: Frisbby Cola

Sabor: Cola

Fabricante: Ferrari Bebidas

Local: Potirendaba, São Paulo

Preço: Entre R$ 2,00 e R$ 2,50

Resenha:  Para o primeiro post do Refrigerando procurei algo especial. Fui ao mercado mais próximo de minha residência, o Plantão Econômico. Chegando ao local me deparei com a seleta prateleira de refrigerantes: Cotuba, Poty, Arco-Íris, Aki Cola e a onipresente Coca-Cola. No canto inferior da prateleira, praticamente coberta com poeira, uma garrafa sem graça com um rótulo vermelho-morte me chamou atenção. Era a Frisbby Cola. Foi como o chamado do Anel, fui compelido a pegar a garrafa e me dirigir ao caixa, o que foi um pouco embraçoso, pois senti o olhar julgador da operadora de caixa, como se eu estivesse levando um feto numa sacolinha plástica.

Após algumas horas no congelador, e bastante sede, resolvi aceitar o desafio. Digo desafio porque eu sabia onde estava me metendo: o nome, o rótulo, e o local privilegiado na prateleira do mercado denunciaram que eu não estava partindo para saborear um refrigerante, mas sim para testar minha vontade de realmente ingressar neste projeto.  É curioso como, no mundo moderno, pessoas espertas pesquisam por opiniões na internet antes de consumir algum produto ou serviço, e pessoas estúpidas compartilham sua opinião na mesma. Eu estava ávido a ser estúpido e não demorei a começar a me sentir como um.

A primeira surpresa quando se abre uma garrafa de Frisbby Cola vem ao colocar o refrigerante no copo: não existe espuma. Exatamente isso, um refrigerante que não faz espuma no copo. Talvez seja pela quantidade nada saudável de açúcar de sua fórmula, talvez por falta de gás. Não sei ao certo, mas chama a atenção. Após o primeiro gole, fiquei um pouco aliviado, pois aquilo parecia não ser tão ruim quanto eu imaginava. Eu estava enganado, mas não vou me afobar no relato. De início, tinha um gosto até agradável, um forte sabor doce. Depois do segundo gole, a revelação começou a surgir: O refrigerante não tinha o distinto gosto de Cola, mas sim um gosto de Soda barata e sem gás. Era como se eu estivesse tomando uma Sprite velha e sem gás, mas preta. Muito estranho.

À medida em que eu tomava mais Frisbby Cola, o sabor em minha boca transformava-se como se por mágica. Tentava me concentrar para diagnosticar com exatidão o sabor, para descrevê-lo posteriormente, mas não conseguia. Meu corajoso amigo Alex Alves, que aceitou a loucura de aventurar-se pelo desconhecido comigo, salientou muito bem, que após o inicial sabor de soda sem gás, Frisbby Cola tinha um gosto que lembrava Rapadura. Sim, rapadura. Provavelmente a quantidade de açúcar nesta aberração é tão grande, que as partículas se reúnem, e a pressão da garrafa transforma-as novamente em cana. Um verdadeiro Refrigerante de Engenho.  Durante um intervalo, entre um gole e outro, notei que bem no fundo do sabor que o tal refrigerante deixara em minha boca, havia um sabor distinto de ferrugem. Sim, você pode sentir um gostinho maravilhoso de portão enferrujado em sua boca após tomar Frisbby Cola.

Frisbby Cola? What the Fuck?

Algo que é comum nos refrigerantes é o engrossamento da saliva após o consumo, mas no caso da Frisbby Cola, enquanto você ainda está tomando, já pode sentir sua saliva engrossar na língua e criar uma camada viscosa na boca, muito In.  Quando acreditei ter terminado minha jornada obscura pelo mundo do refrigerante de Cola underground, foi exatamente quando comecei a me arrepender do feito. Frisbby Cola cai tão bem no estômago quanto um soco do Minotauro. Com apenas 2 copos consumidos, senti um peso forte no estômago, seguido da clássica queimação, algo que todo mundo ama e  não pode viver sem. Por alguns instantes cheguei a pensar que esta sensacional bebida gelada havia me causado uma dor de barriga galopante, porém me equivoquei. Esta dor de barriga não veio, mas a azia, meu amigo, ah esta esteve presente por algumas horas após o fatídico evento de consumo.

O slogan “Sede Pede” aplica-se bem apenas se “Sede” seja o nome de um demônio ou torturador da KGB.

Vale ressaltar que nada, absolutamente nada  existe de informação sobre a Frisbby Cola na internet. Acho louvável e nobre a ação da empresa que produz esta abominação, de tentar evitar uma disseminação e conhecimento popular sobre esta bomba estomacal.

Recomendo o consumo de Frisbby Cola apenas caso você estiver tentando uma intoxicação estomacal, para conseguir uma licença saúde do trabalho, caso contrário, tome água, ki-suco ou chupe gelo.

 

ANÁLISE

Sabor: 3

Mata a Sede: 2

Popularidade: 1

Embalagem: 4

Preço: 6

Nota Geral: 3

“Please Don’t”