Black Cola

Nome: Black Cola

Sabor: Cola

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Devito Bebidas

Local: Catanduva/SP

Preço Pago: R$ 2,75

Era um sábado normal, que tinha tudo para sem agitado como sempre, na megalópole mirassolense, quando recebo a notícia de que Thiago Luzin (previamente apresentado como Robin Williams da Alta-Araraquarense) havia adquirido alguns espécimes de refrigerantes com potencial bélico elevado. Não vou revelar quais foram as outras armas de destruição estomacal adquiridas, para não estragar a surpresa. Porém, em uma noite em que nos deleitamos na agonia adoçada e gaseificada de quatro produtos diferentes, um deles saltou aos olhos e paladares. A Black Cola.

True Norwegian Black Cola

Sim, Black Cola. A primeira vista, o que se imagina é que ou este refrigerante veio de uma vizinhança pesada do Brooklyn ou veio do meio dos Fjörds noruegueses junto com o seu Black Metal. Porém, este subproduto da obscuridade e escuridão vem da gélida e desolada Catanduva, a Kaiserslautern do interior paulista.

A primeira impressão que se tem da Black Cola é boa. A garrafa é bonita, com um rótulo bonito, simples e bem desenhado. Por um instante cheguei a pensar que se tratava de um produto importado. Óbvio que o fato do nome estar em inglês não quer dizer que algo é importado, apenas que paulistas têm a mania de usar palavras em inglês pra ver se a distância entre Ribeirão Preto e Phoenix diminui um pouco. Até agora não deu certo. Mas nós continuamos a achar que São Paulo é a Massachussets brasileira de qualquer maneira.

Estava em meu humilde templo inca, reunindo amigos para algumas frustrantes partidas de Marvel vs. Capcom, quando resolvi que todos deveriam sofrer, pelo simples fato de estarem em meu território e eu ser sádico (e ruim em jogos de luta). Saquei da geladeira o refrigerante mais negro do hemisfério sul do Noroeste Paulista, e servi os presentes Thiago Luzin, Juza, Rhenan, Cleto Fontoura e (estreiando no Refrigerando) Diego “Lag” Ulian.

Na verdade, antes de servir, fiquei angustiado tentando identificar o cheiro que a Black Cola apresenta. Foi um daqueles momentos em que você tenta lembrar o nome de algo, mas seu maldito cérebro não consegue transformar em palavras, e sua cabeça começa a queimar em aflição e desgosto, até que você, esgotado, desiste e um pedaço da sua alma morre junto com sua idéia não proferida. Mais ou menos isso. Alguns afirmaram que o cheiro era de Pepsi, mas não era. É muito óbvio e sem graça, e o intuito aqui é entreter. Se quiser ver algo sem graça, vá ver os videos do Zegraça.

War – Burzum

Ao fazer o  líquido de Black Cola passar pela minha garganta (é, os sinônimos de “tomar” acabaram) eu esperei pela sensação proveniente da mesma. Tomei um segundo gole. Continuei esperando. O terceiro gole revelou um pouco de doce e o quarto gole revelou um pouco de cola. É difícil explicar, mas a Black Cola não tem muito gosto. Não é que ela seja aguada, mas o gosto é fraco. Todos no recinto concordaram com esta característica peculiar da Cola Negra. Acredito que a explicação seja de que a Black Cola é tão negra, mas tão negra, que nenhuma luz consegue entrar em seu interior, o que acabou gerando um buraco negro que consumiu quase todo gosto e açúcar dela. Quem duvida, vá ler a teoria da relatividade, seu hater.

O sabor, extremamente suave, da Black Cola não é desagradável. É um gosto bom. Tem gosto de cola. Gosto de Pepsi genérica, o que é muito acertado, pois é justamente do que se trata. Aparte da falta de gosto, algumas testemunhas paladares apresentaram ardência na língua, inchaço estomacal, gosto de químico na boca e súbita tendência suicida.

Por mais que a Black Cola não seja desagradável ao paladar, ela também não é agradável. A ardência na língua e a sensação de peso e inchaço estomacal são desconfortáveis, mas tudo isso poderia ser relevado se o gosto fosse agradável, mas ele é fraco demais. Portanto, a experiência toda não vale a pena e a Black Cola vai cair no buraco negro dos refrigerantes medíocres (sacou?).

Tome ouvindo: En Vind av Sorg – Darkthrone

ANÁLISE

Sabor: 3

Mata a Sede: 6

Popularidade: 3

Embalagem: 8

Nota Geral: 4

“Black Hole Cola”

Guaraná Jesus

Nome: Guaraná Jesus

Sabor: Guaraná?!?

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: The Coca-Cola Company

Local: São Luís/MA

Preço Pago: De graça até ônibus errado

Após meses de procrastinação e um pouco de marketing positivo por parte dos sites da hora, o Refrigerando finalmente apresenta a resenha da iguaria mais pedida por aqui. Foram milhares de pessoas gritando, mandando e-mails e mensagens perguntando: “Cadê Jesus?”

Bom, se estivéssemos em um dia pior, íamos mandar vocês irem lá pras suas igrejas (seja qual for), porque a gente não tem nada a ver com isso. Mas como estamos bonzinhos e dispostos a atender seus pedidos (refrigerando@rocketmail.com ou página do Facebook), resolvemos postar aqui pra rapaziada nossa resenha do Guaraná Jesus.

Pra quem não sabe, essa bebida exótica foi criada por Jesus Norberto Alves, que fez um xarope que teve o gosto aprovado pelos seus netos. Em 2001, devido à popularidade que a bebida atingiu no Maranhão, a mesma foi comprada pela Coca-Cola Company. Aparece com um Guaraná Kuat lá que tu é linchado.

Era uma manhã gélida, de muita expectativa no ar. Sentimos que precisávamos fazer algo diferente para este refrigerante, uma vez que ele é bem cultuado no Brasil todo e vendido igual água no Maranhão (insira sua piada sobre a seca do Nordeste aqui). Com isto em mente, juntamos Alex e Cleto Fontoura, estrelas da empresa de filmes não-hollywoodianos e não-ortodoxos Stain Productions e fomos experimentar/zoar pra caramba no fim de semana acompanhados da presença santa de Jesus. Também fomos surpreendidos pela Polícia Militar, que achou que o líquido rosa era algum entorpecente de uso recreativo.

O que achamos de toda essa experiência, pode ser visto no vídeo abaixo:

PS: O vídeo ficou maior do que de costume, mas por razões especiais.

 

ANÁLISE

Sabor: 6

Mata a Sede: 5

Popularidade: 9

Embalagem: 7

Nota Geral: 6,5

“Jesuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuus!”

Refree Guaraná

Nome: Refree Guaraná

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Amazon Bebidas

Local: Garça/SP

Preço Pago: R$ 1,78

No alto de um devaneio auto-destrutivo, conjuramos nossos intrépidos amigos e partimos em uma jornada rumo à novos mundos de desgosto. Na verdade fomos até um ‘serv-festas’ e pedimos o pior refrigerante do estabelecimento. Fomos agraciados com um exemplar nefasto de um refri. Mas não é um ‘refri’ é um ‘Refree’. Sim. A audácia ortográfica dos pequenos empresários do ramo das bebidas gaseificadas parece não ter limites.

Seus dois litros de refrigerante pela módica quantia de 1,78 dilmas aliada  à singela indicação do dono do estabelecimento pintou um quadro aterrorizante em nossas mentes. Gostaria de dizer aqui que fomos surpreendidos, mas é melhor vocês verem com os próprios olhos.

ANÁLISE

Sabor: 2

Mata a Sede: 4

Popularidade: 2

Embalagem: 5

Preço: 7

Nota Geral: 3,5

“Be free from Refree”

Guaraná Cotuba

Nome: Guaraná Cotuba

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Arco-Íris Indústria de Refrigerantes

Local: São José do Rio Preto

Preço Pago: R$ 2,50

O Refrigerante de Guaraná Cotuba é uma iguaria conhecida e vangloriada aqui na região de São José do Rio Preto por muitas pessoas. Podemos verificar sua presença em praticamente todos os lugares aqui da região da Alta-Araraquarense, incluindo lanchonetes undergrounds, bares que possuem máquinas caça-níqueis amoitadas, supermercados e hipermercados. Mas, diferente de alguns refrigerantes regionais já resenhados pelo Refrigerando, como Guaraná Pequetito e Cini Gengibirra (parem de nos xingar, seus malditos), é um refrigerante de guaraná bem acima do padrão de fezes que estamos acostumados a tomar.

Como os refrigerantes brasileiros gostam de bater na tecla “tradição”…

Com nossos participantes velhos de guerra Alex, Cleto Fontoura e Jusa e com salgadinhos sobre a mesa de jantar, nos apressamos em tomá-lo, pois a nossa deusa afro-estadunidense Coca-Cola tinha se esgotado. Foi o primeiro refrigerante que não tivemos a mínima preocupação em ir atrás para experimentar, pois é bem disseminado aqui. Com uma condição física adequada, eu poderia muito bem andar uns 12 quilômetros de bicicleta e ir lá na fábrica da Arco-Íris. Não faço isso porque sou um comodista preguiçoso, compulsivo e onanista. Analisar uma bebida da qual se conhece a muito tempo e já se é acostumado é uma tarefa curiosa. Os adjetivos faltam. A familiaridade é óbvia. Todo mundo conversando normalmente até que eu pedi para o Guilherme tirar uma foto da garrafa. Guaraná Cotuba tinha que aparecer no Refrigerando, de qualquer jeito.

Na frente, Cotuba. Atrás, seus efeitos, refletidos na barriga do nosso amigo Guilherme Abeia.

Quando viramos a tampinha não escutamos o gás. Não sei o que aconteceu, pois o Guaraná Cotuba é bem gasoso. Deve ter sido o modo sublime que Cleto Fontoura o abriu. O aroma da própria fruta do Guaraná convence. Sua cor é bonita e as bolhas no copo são fenomenais. Sério, dá vontade de ficar apreciando o copo, tamanho o vigor com qual as bolhas sobem para a superfície. É um refrigerante que mata a sede e gostoso de tomar. Perdi as contas de quantas vezes eu fiz um molotov flatulêntico misturando hot-dogs abaconzados da esquina com uma garrafa de 2 litros desse guaraná. É quase que nostálgico para todos nós. Causa uma refrescância bastante agradável quando bem gelado e é possuidor de uma doçura homérica, com um pico de insulina maior que o Everest, além de ser um curandeiro cabeceira de ressacas. Certo dia, tive uma ressaca monstruosa e mandei 1 litro de pura Cotuba para debaixo de minha goela, e em meia hora eu já estava pronto para entrar no meu mundo bonito de novo, na minha vida linda de pura descontração no final de semana, recheada de mulheres, dinheiro e carros importados rebaixados.

Há uma lenda urbana pela proximidade da fábrica da Arco-Íris com o cemitério:  a fábrica retira sua água dos lençóis freáticos de debaixo das tumbas do cemitério. Ou seja: a águas das chuvas entram pelos caixões, penetram nos corpos putrefactos/decompostos e finalmente chegam aos lençóis freáticos. Se isso for verdade, eles deveriam mudar o nome do refrigerante para CoTumba.

Para fechar esse post de maneira magnâmica, Guaraná Cotuba é um bom guaraná, mas ele é um pouco pesado e enjoativo em doses altas. Se não estiver bem gelado, sua doçura inflamante é atenuada ainda mais. Mas vai pro Ranking, assumir uma das primeiras posições e nos deixar orgulhosos de sermos quem somos. Apesar da garrafa feia, o Guaraná Cotuba é muito bem representado pelo seu sabor e pela sua refrescância, uma vez que é exportado em larga escala para todos os lugares do mundo, incluindo o oriente.

ANÁLISE

Sabor: 8

Mata a Sede: 9

Popularidade: 7

Embalagem: 4

Preço: 6

Nota Geral: 8

“Cotumba.”

Frutilla Guaraná

Nome: Frutilla Guaraná

Sabor: Guaraná

Recipiente: 2l Pet

Fabricante: Frutilla Bebidas

Local: Campo Grande/MS

Preço Pago: R$ 1,80

Em uma reunião de amigos na casa do Beto Siqueira (A.K.A. Rafael Piloni), nosso amigo que emigrou de São Paulo para desbravar o Pantanal Crocodilo Dundee Style. Em um retorno triunfal à Nantes da Alta-Araraquarense, ele veio munido de mais uma peça notável do paladar duvidoso pantaneiro: Frutilla Guaraná. Sempre imaginei se a proximidade da fronteira exerceria algum tipo de influência na região pantaneira, e este refrigerante me respondeu esta pergunta. Enquanto Cariocas e Paulistas gostam de usar palavras americanas para parecerem ‘chiques’, e Gaúchos e Catarinenses acham o máximo ter sobrenome “Ausfonhauster de von Frolinckenströn”, os Sul Mato-Grossenses utilizam-se de seus vizinhos para elevar seu status. Frutilla Guaraná é um ótimo exemplo disto. Para aqueles que não estão familiarizados com a cultura ibero-americana, “Frutilla” quer dizer “Morango”. “Porque o Guaraná tem nome de Morango?”, me perguntei em primeira instância. No alto de meus devaneios de querer encontrar uma ordem neste caos chamado Brasil, acreditei que o Guaraná fosse um produto secundário e que o fabricante devesse ter como produto principal um refrigerante de Morango. Obviamente eu estava errado, a fabricante produz refrigerantes de Cola, Uva, Laranja, Limão e Guaraná, mas não de Morango. The Morango is a Lie.

by Josiel Graffitty

A garrafa simpática da Frutilla, chega a ser bonitinha. É uma garrafa gordinha e mais ‘baixa’ que as demais garrafas de 2L. O Rótulo é razoavelmente bem desenhado, porém o designer do mesmo ficou tão orgulhoso do seu trabalho magistral neste rótulo que deixou sua marca registrada. Provavelmente cortou a própria orelha fora, assim como Van Gogh, após o término de sua obra-prima.

Ao abrir a garrafa, eu e os demais voluntários vítimas presentes todos perceberam a presença galopante do gás na composição do refrigerante. Este gás viria a ser desmascarado, mas não vou meter os pés pelas mãos.

Já estou treinado como o Cão de Pavlov à aguardar o segundo ou terceiro gole antes de esboçar uma reação, mas no primeiro gole (mais uma vez) me pareceu um refrigerante razoavelmente bom. Novamente fui enganado pela Fada-do-Primeiro-Gole. O gosto era bom, doce e guaraná o suficiente para parecer razoável. O ‘fundo’ do gosto é o que desmascarou rapidamente esta farsa. Um gosto característico de Chá Mate impregna o paladar, desmascarando a falácia da boa guaraná.

Final Feliz

Outra falácia desmascarada após algumas bebericadas de Frutilla Guaraná é  o gás abundante. Este refrigerante apresenta um protótipo que pode pavimentar o futuro da gaseificação de bebidas: o Pseudo-Gás. Como funciona isso, Beakman? O pseudo-gás é um componente hi-tech na criação de bebidas. Ele consiste em um gás abundante no momento da abertura do refrigerante, que some mais rápido que P.H  Ganso em dia de clássico. Após aproximadamente 4 goles da bebida, deixa-se de sentir a presença do gás no refrigerante e tudo que se pode sentir é o gosto amarrado e não-muito-agradável do guaraná. Um primor da tecnologia Centro-Oestense.

O primeiro copo de Frutilla Guaraná é uma montanha russa de sensações. O segundo copo unifica todas estas sensações em uma única: enjoo. Altamente enjoativo e ‘empanturrante’, é uma tarefa ingrata sorver um segundo copo de Frutilla. Segundo relatos de presentes no momento do incidente, Frutilla Guaraná apresenta um peculiar cheiro de poeira quando assentado em um copo. Testemunhas oculares e paladares confirmaram a acusação, que será julgada no próximo dia 31 de fevereiro.

O orgulhoso filho de Mato-Grosso do Sul, que carrega estampado em seu rótulo ‘Um produto Sul-Matogrossense’ tem uma outra peculiaridade rotular: o tamanho garrafal das inscrições EMBALAGEM DESCARTÁVEL na lateral do rótulo. É como se o fabricante estivesse insultando a inteligência do consumidor e assumindo que, se não avisado, o consumidor guardaria a embalagem ad-aeternum esperando por um refill divino. Pensando bem, o fabricante insulta a inteligência do consumidor ao realmente acreditar que um produto com esta qualidade vá vender o suficiente pra lhe gerar lucros.

ANÁLISE

Sabor: 2

Mata a Sede: 3

Popularidade: 2

Embalagem: 6

Preço: 7

Nota Geral: 3

“Tem nome de Morango, parece Guaraná, mas é uma droga”